Gráfico Semanal
O fechamento semanal veio com uma mensagem mista: o preço terminou acima de 87.5K, na borda superior do Golden Pocket, mas a vela foi um DOJI, aquela assinatura clássica de indecisão. Isso é importante porque, nessa zona, o mercado deveria mostrar convicção para “carimbar” uma defesa. Em vez disso, tivemos pavios e um corpo pequeno, sugerindo que a região ainda é mais briga do que direção. E pior: mesmo fechando acima, a sensação é de que foi um fechamento “na marra”, sem força suficiente para virar o jogo de forma clara.
O que reforça essa falta de convicção é a nova agulhada perto do 0.618 (~83.9K), enquanto EMA8 e a SMA21 (média da Bollinger) continuam caindo juntas, puxando o preço para baixo. Abaixo do 0.618, o perfil de volume mostra uma zona de pouca negociação que pode facilitar uma escorregada até a região de ~68K se o suporte falhar e não houver recuperação rápida. Ao mesmo tempo, estamos nos afastando do ponto de maior concentração de negociações perto de 96K; se o mercado continuar consolidando em ~88K, existe chance real de esse “centro” do volume migrar para baixo, o que piora a batalha para reconquistar níveis mais altos.
No fluxo, o alerta fica por conta do CVD em queda: a vela atual marcada em roxo sugere que o preço está se mantendo relativamente firme com divergência em relação ao CVD. Na prática, isso costuma significar que qualquer alta pode ser frágil enquanto o fluxo não melhorar, porque falta compra agressiva sustentando o movimento; e, se o mercado perder o Golden Pocket, essa divergência pode virar combustível para mais correção. Para a leitura ficar mais confortável, o mercado precisa provar que consegue segurar acima do pocket sem novas agulhadas e, principalmente, que o CVD para de cair.
Osciladores
Nos osciladores, a fotografia ficou bem coerente com a história do preço: o RSI segue pouco abaixo dos 40, escorregando com certa “constância”, o que é típico de tendência corretiva em andamento — não é aquele RSI que despenca em pânico e já devolve, é um RSI que vai “moendo” o fôlego comprador. E o detalhe importante é que o próprio painel já mostra divergência “RSI Bearish”, ou seja, a divergência baixista está sinalizada: isso costuma acontecer quando o preço tenta segurar ou até ensaiar algum repique enquanto o RSI faz topos mais baixos, indicando que a força por trás do movimento está piorando. Na prática, a consequência é simples: qualquer alta tende a nascer com cara de repique frágil, mais fácil de virar ponto de venda do que de virar retomada sustentada.
No Stoch KDJ, o comportamento é ainda mais “gritante”. O indicador está em zona de sobre-venda com valores bem baixos (K e D na faixa de 8, com J perdendo tração), e o que chama atenção é justamente essa sensação de cruzamento bearish se formando quando o mercado deveria estar encontrando alívio. Esse “bouncing” negativo em sobre-venda é perigoso porque, em vez de sinalizar que o mercado está pronto para uma recuperação mais limpa, ele sugere que até a tentativa de alívio já nasce torta, aumentando a chance de uma nova pernada de baixa ou, no mínimo, de um movimento mais errático e volátil. Some a isso o fato de o setup também aponta divergência bearish no KDJ, e o recado fica bem alinhado: o preço pode até fazer pequenas reações, mas o oscilador indica que o impulso está se deteriorando por dentro.
O MACD fecha o trio com um aviso bem típico de correção em timeframe maior: as linhas estão se afastando para baixo, mostrando que o momentum negativo ainda está ativo e “respirando” com espaço. O histograma mostra uma leve melhorada e pode até sugerir que a pressão vendedora está perdendo um pouco de intensidade no curtíssimo prazo, mas isso não é reversão; é, muitas vezes, só o mercado tirando o pé do freio por um instante antes de decidir o próximo empurrão. E como o KDJ está ameaçando perder o pouco fôlego que ainda restava mesmo na sobre-venda, a leitura conjunta fica clara: o MACD ainda tem espaço para cair mais, caso o preço não consiga transformar essa região atual em base e os osciladores confirmem o rollover. Em termos práticos, o cenário mais provável é de “alívio curto e nervoso” ou continuação da pressão, até que o RSI pare de escorregar e o KDJ volte a reagir de forma mais saudável dentro da sobre-venda.
Suportes
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87.5K — topo do golden pocket (0.65), suporte imediato.
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83.9K — base do golden pocket (0.618), suporte-chave.
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77.9K — banda inferior da Bollinger (dev2), “colchão” técnico.
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70.9K — nível 0.5 da Fibo, suporte de correção mais profunda.
Até aqui, correção saudável com dor máxima no macro. -
~69.7K — banda inferior da Bollinger (dev3), defesa extrema de volatilidade.
- ~68K — zona de pouca negociação no perfil de volume, suporte “vazio” até achar aceitação.
Ouro
O ouro termina dezembro encostado na região de máxima histórica, e o noticiário ajuda a explicar por que o mercado está com essa “cara de rompimento”: 2025 virou um ano de tração estrutural para o metal, com demanda forte de investidores via ETFs e compras ainda elevadas de bancos centrais, segundo os relatórios do World Gold Council — um tipo de combustível que costuma sustentar preço mesmo quando há correções pontuais. Ao mesmo tempo, casas grandes continuam projetando continuidade para 2026, com Reuters destacando que bancos como Morgan Stanley e JP Morgan veem ouro em patamares ainda mais altos no próximo ano, reforçando a percepção de que o metal está sendo tratado como proteção preferencial em um ambiente de incerteza e reprecificação de juros.
Do ponto de vista técnico, o cenário conversa com essa narrativa: depois de uma pernada forte, o preço entrou numa consolidação curta perto do topo, comprimindo candles e “guardando energia” em uma formação de equilíbrio, típica de mercado que não está distribuindo, mas sim ajustando a respiração antes de decidir. É por isso que a região da máxima histórica vira a fronteira psicológica do momento: um rompimento com fechamento convincente tende a destravar um novo impulso, enquanto uma rejeição tende a devolver o preço para suportes de curto prazo sem necessariamente destruir a tendência principal — especialmente quando o pano de fundo é de fluxo estrutural (ETF + bancos centrais) e expectativa de juros menos restritivos adiante. Em bom português, o ouro está com o pé na porta: ou o mercado abre e deixa passar para uma nova máxima, ou faz aquela recuada técnica para pegar fôlego e tentar de novo, mas com viés ainda positivo enquanto a estrutura de demanda continuar sustentando.
Conclusão
Chegamos naquela semana típica de fim de ano em que o mercado fica mais “leve” de liquidez e mais sensível a qualquer empurrão: com meia semana até o Natal e meia semana até o Réveillon, é comum ver mesas grandes reduzindo exposição e evitando iniciar briga nova. Nesse vácuo, quem aparece é o varejo, mas já com sinais claros de cansaço depois de tantas “agulhadas” e de um mês em que o preço mais testou paciência do que entregou tendência. Por isso, um cenário bem plausível para os próximos dias é o mercado tentar maquiar o fechamento do mês, buscando trabalhar acima de 90K só para deixar a vela menos feia — não porque “virou o jogo”, mas porque em semana curta a prioridade vira fechamento e aparência, não convicção.
O contraponto é que, enquanto o Bitcoin ainda disputa aceitação nessa faixa, o ouro segue forte e muito perto de máximas históricas, com o spot rondando US$ 4,35K/oz e o noticiário tratando o movimento como uma corrida de proteção típica de ambiente mais defensivo. Isso ajuda a explicar o tom do trimestre: quando o dinheiro grande prefere abrigo e o mercado cripto ainda está lidando com correção e desalavancagem, a leitura mais saudável é manter o radar ligado para “fechamentos bonitos” de curto prazo sem confundir com reversão estrutural — especialmente se o fluxo (como vimos no CVD e nos osciladores) não confirmar a melhora junto com o preço.
⚠️ Aviso
Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento. |
