OUÇA NOSSO PODCAST!
|
Bitcoin em Queda Livre no gráfico diário
O candle de hoje (03/02) é didático: após um ensaio de recuperação frustrado no dia anterior, o mercado respondeu com um engolfo bearish mais “pesado” que a tentativa de alta. Esse tipo de estrutura costuma fazer duas coisas ao mesmo tempo: (1) destrói a narrativa do alívio e (2) força a mão de quem estava tentando antecipar fundo com alavancagem.
Pelo desenho, o preço já entra em território de “queda livre” no sentido prático: abaixo dos suportes dinâmicos relevantes, sem médias importantes servindo de piso imediato e com o preço escorregando dentro de uma zona de valor onde a liquidez é rarefeita. Na imagem, a perda da linha marcada em 74.4K é o alerta que muda o tom do mercado: se quisermos ser criteriosos, a violação do fundo ascendente anterior é o tipo de evento que, em leitura SMC, começa a parecer um CHoCH (mudança de caráter) em construção, porque o mercado deixa de respeitar a sequência de fundos e topos que sustentava a estrutura.
Aí entra a parte que separa “correção saudável” de “correção de dor máxima”. O preço não só perdeu o golden pocket do ciclo como também começa a flertar com níveis mais fundos de retração, onde o próximo degrau relevante passa a ser a região de 71K (zona de retorno de volume) e, abaixo dela, o imaginário coletivo volta a ouvir aquele número que sempre reaparece quando ninguém quer falar: 69K.
E aqui surge uma segunda régua que reforça a gravidade do movimento: a “ALL TIME FIBO” (do fundo macro ao ATH). Nela, o mercado também pressiona o golden pocket e coloca no radar o 0.5 em 63.1K como alvo potencial caso a estrutura atual não seja recuperada com força. Esse não é um cenário “base”, mas é um cenário que passa a existir quando o mercado perde suportes estruturais e entra em vácuo de liquidez.
O que pode acontecer se a mínima do fundo ascendente anterior não for defendida
Quando uma mínima estrutural cai, o mercado tende a procurar três coisas, nessa ordem:
-
Liquidez abaixo do rompimento: stops e ordens pendentes são varridos rápido. Isso explica acelerações e pavios longos em sequência.
-
Zona de valor (VAL) seguinte: se o preço já está “no meio do VAL”, ele tende a caminhar até o final dele. No gráfico, essa “escada rolante” aponta para 70.9K como área onde o perfil volta a engrossar.
-
Novo POC de controle: na imagem, o POC estendido em 67.1K vira um ímã se o mercado confirmar que perdeu o antigo “bastião” de suporte por volume.
Ou seja: abaixo de 74K, o mercado não “precisa” cair, mas ele passa a ter um caminho muito mais fácil para cair do que para subir, porque a liquidez está mais disponível para baixo do que para cima.
Osciladores e fluxo: a tese do long squeeze ganha corpo
O quadro de indicadores do diário está gritando “tendência forte e feia”:
1) ADX em zona de tendência forte
No diário (IMG1), o ADX aparece alto (36.88), típico de movimento com direção e continuidade. Tendência forte não é sinônimo de “boa”, é sinônimo de “difícil de reverter”.
2) Bollinger: preço em breakdown e BBWP extremo
O setup marca “Price in Break Down” e um BBWP em 97.42% (subindo), o que sugere expansão de volatilidade em modo pânico. Quando BBWP estoura e o preço está rompendo para baixo, o padrão mais comum é continuação com repiques curtos e violentos, não reversão limpa.
3) RSI e momentum no porão
RSI abaixo da média (24.64) e momentum muito negativo. Isso reforça o ponto principal: sobrevenda aqui é condição, não gatilho. O mercado pode ficar “barato” por mais tempo do que a coragem de quem comprou cedo.
4) MACD: o vilão com potência
MACD bem abaixo do sinal e abrindo para baixo. A metáfora é simples: se o preço tentava subir com um pneu amarrado, agora penduraram outro. O “motor” do movimento segue apontando para continuação, mesmo que haja repiques técnicos.
5) WaveTrend e CMF: pressão vendedora persistente
Na IMG2, o WaveTrend despenca e segue sinalizando para baixo. O CMF luta perto da linha do zero, mas sem uma virada clara. Esse combo costuma indicar que qualquer alívio é vendido enquanto o fluxo não muda de lado.
6) CVD: primeira leitura bearish do ano
A leitura mais simbólica da IMG2 está no CVD: pela primeira vez no ano, opera-se em zona bearish/distribuição. Mesmo com trechos ainda positivos, o comportamento recente mostra pressão vendedora e amplitude pior, coerente com o preço descendo em tendência.
7) KDJ: o “bouncing” que amplifica vela
O estocástico (KDJ) reforça um comportamento recorrente: quando tenta sair da sobrevenda e falha, a reação seguinte costuma vir com amplitude maior do que “todo o passeio do oscilador”. No print, o KDJ volta a afundar com K/D muito baixos, e a linha J (volatilidade) já dá sinais de reversão do fraco cruzamento bullish. É o tipo de leitura que combina perfeitamente com squeeze: o mercado dá esperança, puxa o tapete, e a vela cresce como se tivesse tomado café duplo.
O semanal: a escadinha de rejeições e o cheiro de virada de tendência
No semanal (IMG3), o cenário fica ainda mais perigoso porque o preço começa a desenhar uma “escadinha” de rejeições em médias fibonácicas consecutivas: rejeição na EMA55, rejeição na midterm line do setup, e agora uma terceira rejeição buscando a EMA144. Três rejeições em sequência não “confirmam” bear market macro, mas constroem a premissa de mudança de regime: o mercado deixa de respeitar suportes dinâmicos e passa a usar médias como teto.
E se o próximo degrau for a EMA233, ela aparece bem abaixo, na região que conversa com a ALL TIME FIBO e com o POC estendido. Em outras palavras: o mercado está “sem muito para onde correr” se a defesa de 74K falhar e 71K não segurar. Aí o velho 69K deixa de ser piada histórica e vira nível operacional.
Ouro: correção agressiva, mas estrutura ainda viva
Enquanto o Bitcoin apanha da estrutura, o ouro mostra outra história. No diário (IMG4), após a varrida violenta, aparece reação com cara de “mercado não satisfeito com a queda”: um engolfo bullish e reteste na EMA8 com rápida tentativa de retomada. Mesmo com WaveTrend e MACD ainda virados para baixo, a leitura de divergência de volume e recuperação de preço sugere que a queda pode ter sido mais limpeza de especulação do que mudança de tendência. Isso é coerente com a narrativa reportada: liquidação forte, margem mais cara e saída de especulador.
No semanal (IMG5), o contraste com o BTC é quase cruel: o ouro “nem se abalou” no macro. A correção vira pavio, o reteste da EMA8 acontece, e o preço volta a trabalhar acima rápido, ao mesmo tempo em que a região da fibo (0.768 da bullrun) é respeitada como área de reação. A leitura final é simples: foi uma chacoalhada gigantesca (em dólares absolutos), mas a estrutura de alta ainda parece intacta.
Conclusão
Bitcoin em Queda Livre não é um bordão dramático, é uma descrição operacional do que acontece quando o preço perde suportes de ciclo e passa a caminhar por regiões onde a liquidez é mais fina do que o necessário para segurar alavancagem. O mercado já vinha avisando: rejeições em médias, fraqueza em osciladores e um MACD abrindo para baixo criaram um ambiente em que qualquer recuperação parecia “emprestada”, não conquistada. Quando a mínima do fundo ascendente anterior entra em violação, o jogo muda de regra: a pergunta deixa de ser “onde está o fundo?” e passa a ser “qual é o próximo bloco de liquidez onde o mercado consegue respirar?”. Nesse mapa, 71K vira parada provável, 67K vira ímã (POC estendido), e a região de 63K (0.5 da ALL TIME FIBO) deixa de ser teoria distante e vira cenário condicional caso o fluxo não mude.
Do lado dos indicadores, o diagnóstico é coeso: volatilidade expandindo (BBWP extremo), tendência forte (ADX alto), momentum fraco e osciladores sem sinal limpo de reversão. O CVD tocando regime bearish e o WaveTrend despencando reforçam a mesma história com outra linguagem: o mercado está distribuindo, não acumulando. Em ciclos assim, repiques existem, mas eles costumam servir mais para reposicionamento do que para “recomeço de alta”, até que o preço reconquiste níveis e médias com convicção.
A grande ironia do momento é que o ouro, mesmo após uma limpeza histórica amplificada por margem e alavancagem, mantém uma estrutura macro muito mais resiliente. Isso ajuda a entender o desconforto central: o capital que deveria “correr para cripto” como hedge moderno ainda prefere o cofre antigo. E isso não invalida a tese de longo prazo do Bitcoin, mas expõe uma verdade incômoda para o curto e médio prazo: quando o mundo aperta o cinto, cripto ainda é o último convidado a entrar na sala dos hedges. Bitcoin em Queda Livre segue sendo, portanto, mais um teste de maturidade do mercado do que um evento isolado: quem sobreviver a esta fase não é quem acertar o fundo, e sim quem respeitar a estrutura, a liquidez e o risco.
⚠️ AvisoEsta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento. |
