Bitcoin: engolfo diário recoloca 102K no radar.
A semana começou com o Bitcoin tentando respirar acima de 106K, mas o fôlego curto coincidiu com ajustes de risco após o rebote do fim da semana passada. Na quinta, os ETFs spot de BTC chegaram a reverter uma sequência de seis dias de saídas, registrando ~US$240 mi de entradas líquidas e sugerindo estabilização de curto prazo nos fluxos institucionais. O dado foi destaque no fim de semana e continuou pautando mesas na segunda, mas o alívio não anulou a pressão de venda nos rompimentos.
No campo do preço, esta terça trouxe o “preencheu o gap da CME” e, logo depois, venda agressiva de ~US$240 mi que abortou o repique para além de 104K em intraday. A possível leitura desse movimento foi que as baleias seguiram distribuindo nos topos locais, reduzindo a qualidade dos rompimentos intradiários e deixando o mercado mais dependente de suporte em níveis-chave.
Parte da narrativa macro veio contaminada pelo ruído político do “tariff dividend” de US$2.000 citado por Trump nas redes — um catalisador que gerou manchetes, mas não políticas. Enquanto isso, BTC voltou a perder altura após esbarrar perto de 106–107K, espelhando a fragilidade do apetite por risco nas primeiras horas desta terça.
Do lado regulatório/mercado amplo, a imprensa noticiou preocupações de supervisores internacionais com tokenização e estruturas de mercado, um lembrete de que liquidez e intermediação seguem sob escrutínio. Esse pano de fundo não “quebra” a tese de longo prazo, mas pesa no curto prazo quando o preço testa suportes.
Tivemos também o anúncio do Banco Central do Brasil, que passa a exigir autorização formal, capital mínimo e rastreabilidade de operações de exchanges estrangeiras, insere o país no mesmo compasso da tendência global de endurecimento regulatório sobre criptoativos. O movimento brasileiro ecoa as recentes ações da Irlanda, que multou a Coinbase em €21 milhões por falhas em monitoramento de transações suspeitas, e o alerta da FATF, que estimou em US$51 bilhões os fluxos ilícitos anuais ligados a cripto e apontou a falta de conformidade da maioria das jurisdições.
Essa convergência de medidas reforça uma narrativa mundial: governos e bancos centrais estão reagindo ao risco sistêmico e reputacional do setor, apertando o cerco contra anonimato e exigindo compliance, rastreabilidade e integração plena com o sistema financeiro tradicional — um sinal inequívoco de que o mercado caminha para a fase regulada e institucionalizada da criptoeconomia.
Price action — gráfico diário (1D)
A fotografia do 1D mostra o mercado respeitando a Fibo traçada a partir da vela de ignição de 10/10. A máxima desta terça tocou e falhou na linha de 0.768 dessa retração, sinalizando que os vendedores defenderam a faixa logo acima de 106K. A partir desse toque, o candle devolveu o avanço, engolfando a barra de ontem (e quase o domingo), e rompeu de volta as médias curtas: EMA8 e SMA21 (média central das Bandas de Bollinger). Tecnicamente, é rejeição em resistência + perda de guias de curto prazo, o que reabre o caminho para reteste em 102K — mínima da vela de ignição e eixo psicológico desde o início de novembro.
O padrão OCO (ombro–cabeça–ombro) desenhado na imagem é plausível: ombro esquerdo no topo de fim de setembro, cabeça no pico de outubro e ombro direito no repique recente que morreu abaixo da EMA200. A linha de pescoço pode ser traçada com leve inclinação negativa, cruzando a região 102K–101.8K.
A Validação desse OCO, exigiria fechamento abaixo da neckline com volume crescente e, preferencialmente, follow-through no dia seguinte. Enquanto 102K for defendido (e especialmente se houver bear trap com quick reclaim acima da SMA21), o OCO permanece hipótese, não sinal executado.
No curto prazo, a EMA8 tornou-se novamente teto imediato; fechar abaixo dela mantém pressão para testar 102K. Fechar acima (com confirmação) devolveria a briga à faixa 106.8K (0.768 do mesmo Fibo) e, só depois, a 109.2K–109.85K (0.65/0.618) — bloco que guarda EMA200/EMA55 e a média central das BB.
No fluxo, o CVD do diário já vinha subindo do fundo recente, mas sem imprimir novos topos de delta — isso casa com a leitura de repique com combustível curto. O candle de hoje reforça a ideia: volume de venda reapareceu nas resistências, a absorção compradora ficou restrita à base do range e a mecânica de “sell the rally” seguiu dominante. Em outras palavras, o lado comprador ainda não mostrou agressividade suficiente para retomar médias e virar a microestrutura.
Price action — gráfico semanal (1W)
No semanal, o avanço do início do período foi barrado pela média rápida, a EMA8, resultando num candle de corpo vermelho com sombra superior mais evidente. A mensagem do price action é clara: os repiques estão sendo vendidos ao encontro das médias e zonas internas das Bollinger, mantendo o viés de correção dentro da estrutura de alta de prazo mais longo. O range de valor do VPVR ainda concentra boas trocas entre ~100K e ~106K — campo de batalha que precisa ser resolvido com barra forte para liberar direção.
Mesmo com a deterioração dos candles, o 100K segue firme como piso sentimental. Cada vez que o preço fura intradiário, aparece absorção e reentrada — resiliência compatível com o que se vê quando grandes participantes defendem níveis estratégicos (minimamente para proteger posições ou reprecificar risco). Contudo, sem fechamentos semanais acima da média central das BB e pernas capazes de inclinar o MACD para cima, o semanal continua corretivo e sujeito a retestes da EMA50/EMA55, que balizaram a bull run ao longo do ano.
O CVD preocupa: mostra retração desde o ATH. Isso evidencia aumento da força vendedora mais que perda de apetite comprador. Realização nesta faixa acima dos 100K.
Osciladores (Semanal)
Semanal (W):
— MACD: abaixo da linha de sinal, histograma negativo e sem hook visível — momentum vendedor ainda dominante.
— Wave-Trend (no MarketMonitor 2025): descendente e abaixo da linha de base, corroborando a fraqueza.
— KDJ: em sobrevenda com K e D em faixa de 7–8 e curvatura tímida para cima — sinal precoce de exaustão vendedora, não de reversão. Enquanto K não cruza D e os preços não recuperam médias, falsas partidas seguem prováveis. Linha J a de volatilidade (laranja) fez repique negativo nas outras linhas. Sinal Bearish de exaustão do movimento altista.
Lista de suportes e resistências
Suportes
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102.0K — mínima da vela de ignição de 10/10; neckline projetada do OCO no 1D.
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100.6K — Fibo 0.768 de swing visível no W + faixa de alto volume no VPVR.
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99.1K / 96.41K / 93.49K / 89.3K — extensões (1.141 / 1.272 / 1.414 / 1.618) do Fibo diário.
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87.5K / 83.9K — zonas 0.65/0.618 do Fibo mais amplo (mapa do W), apenas se 100K ceder com convicção.
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Resistências
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EMA8 (D) — teto intradiário imediato após o engolfo; precisa de close acima para aliviar pressão.
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SMA21 (D) — média central das BB; reconquista melhora o equilíbrio.
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106.8K — 0.768 da Fibo do 10/10; primeiro alvo de repique se médias voltarem a sustentar.
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109.2K–109.85K — 0.65/0.618 da mesma Fibo; bloco-tampa confluente com EMA200/EMA55.
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112.3K — 0.5 do mesmo Fibo + região de oferta recente; gatilho para reavaliar a tendência no W.
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116K — topo de range do fim de outubro.
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126.3K — alvo distante de expansão do swing maior (somente com confirmações anteriores).
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Observação sobre o OCO: o setup só ativa com fechamento abaixo da neckline (~102K) + volume. Enquanto isso não ocorrer, a leitura principal é range entre ~100K e ~106K/109K, com reversões frequentes dentro dessa caixa.
Conclusão e prognóstico
O engolfo de hoje carimba o recado do mercado: rompimentos superficiais estão sendo vendidos e o preço obedeceu à linha 0.768 da Fibo da vela do dia 10/10 como resistência. A perda intradiária de EMA8 e SMA21 reabre o 102K como alvo — e, se houver quebra com volume, ativa o OCO para extensões em 99.1K → 96.41K → 93.49K. O semanal não ajuda: MACD e Wave-Trend caem, e os candles respeitam as médias como teto, embora a resiliência em 100K continue impressionando.
Cenário base (semana): lateral–baixista dentro do range 100K–106.8K, com spikes de volatilidade ao redor das médias. Para virar o curto prazo, o preço precisa:
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Fechar de volta acima da EMA8 e SMA21;
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Atacar 106.8K com volume;
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Superar 109.2K–109.85K (0.65/0.618) — a tampa do repique.
Com esses passos, 112.3K entra no radar e o semanal pode abafar o sinal vendedor dos osciladores, abrindo janela para reteste da média central das BB e ajuste positivo do MACD nas semanas seguintes.
Risco de baixa: close abaixo de 102K com CVD acelerando negativo + volume maior que a média. Esse pacote provoca a ativação do OCO e projeta as extensões da Fibo diária citadas. Nesse cenário, o 100K pode servir como bounce zone inicial, mas, se perdido com convicção, 87.5K–83.9K voltam ao mapa do semanal como alvos de correção mais profunda.
Catalisadores a monitorar (curto prazo):
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Fluxos diários dos ETFs spot (principalmente IBIT/FBTC) — voltas de entradas podem destravar repique técnico; outra rodada de saídas nos topos tende a validar a continuação do padrão sell the rally.
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Liquidez e derivados — o comportamento de baleias vendendo nos picos intradiários foi visível hoje; se persistir, rompimentos seguirão frágeis.
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Ruído político/macroeconômico — manchetes ajudam a elevar a vol, mas sem política econômica concreta não sustentam tendência.
Resumo: quem trabalha swing/position deve tratar 106.8K e 109.2K–109.85K como zonas de realização/defesa até que haja fechamento claro acima.
Para operações táticas, 102K é o divisor: perdeu com volume, segue a esteira das extensões; defendeu e reconquistou EMA8/SMA21, busca 106.8K outra vez.
O jogo é de paciência e gestão de risco, porque a borda inferior do range (100K–102K) tem defesa recorrente (Até Quando??), mas o teto segue pesado.
⚠️ Aviso
Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento. |