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E o gatilho emocional da semana foi a cara do risco-off: dólar instável, ameaças e ruídos de política externa, e o ouro entregando um recado clássico de macro. Não é coincidência que bancos tenham revisado projeções para o metal e que o fluxo de proteção tenha voltado a dominar as conversas, justamente quando o Bitcoin tenta decidir se 90K é piso ou teto de curto prazo.
Price action do BTC no semanal
No gráfico semanal, a história está escrita com tinta grossa. O candle em formação aponta para uma queda de quase 7% (aprox. -6.8K), com um corpo predominantemente vendedor que conversa bem com a leitura de marubozu bearish no contexto do movimento. Antes dele, a vela anterior mostrou tentativa de retomada, mas com sombra superior maior que o corpo, sinal típico de rejeição: compradores até empurraram, mas foram engolidos na região de oferta.
Essa rejeição ganha peso porque acontece em cima de dois elementos técnicos que funcionaram como “tampa de panela” na semana: o antigo POC na faixa de 96K e o encontro das médias EMA55/EMA50 na mesma região. Quando uma vela de tentativa (com pavio grande) falha exatamente em confluência de resistência e, na sequência, surge um candle vendedor agressivo, o recado não é sutil: a retomada foi testada e negada.
Depois de um impulso forte de queda, essa consolidação mostra uma pennant/flag de continuação da baixa. Se a perna anterior foi de baixa e o preço perde a sustentação do “corredor” por baixo, a estatística que tende a prevalecer é a continuação do movimento que veio antes.
Essa semana, o preço voltou a pressionar a LTA inferior do padrão. A tentativa de ro
mpimento por baixo é relevante porque veio acompanhada de rompimentos em cadeia: EMA8, SMA21 (média central das Bollinger) e, principalmente, a linha de tendência do setup (CCT Supertrade 2025). Em leitura prática, isso significa que o mercado deixou de respeitar o “trilho” de curto prazo e começou a buscar níveis onde exista liquidez de verdade para absorver a pancada.
Na sequência, entra a zona mais sensível do ciclo: o preço começa a violar o POC atual em ~87.8K e também a linha 0.65 (a parte superior do Golden Pocket do ciclo, com a fibo do último fundo de ciclo até a ATH em 126.2K). Se o semanal fechar nesses patamares, o sinal muda de “agulhadas pontuais” para “aceitação”: em vez de apenas tocar abaixo do POC e recuperar, o preço passaria a fechar abaixo com consistência.
A partir daí, o cenário-base fica com cara de teste técnico obrigatório: uma agulhada até 0.618 em 84K aparece como alvo natural para “sentir” reação de ciclo. Não é só Fibonacci. É também a região onde a volatilidade tende a acelerar quando o preço perde o miolo do volume e começa a procurar o próximo degrau de liquidez. E a advertência que precisa ficar registrada é objetiva: dois a três fechamentos semanais abaixo de 84K mudariam o regime da correção e abririam espaço para o mercado buscar a dor máxima do movimento na faixa de 70K (linha 0.5 do mesmo exercício). É o tipo de transição em que a narrativa muda rápido, porque a estrutura passa a parecer mais correção de ciclo do que “pullback saudável”.
Osciladores do BTC Semanal: Confirmações de cenário
1) RSI com Bollinger Bands
O RSI está oferecendo um retrato fiel da falta de força compradora. Ele segue abaixo da linha 50, na zona que costuma caracterizar regime mais vendedor, e a “tentativa de recuperação” perdeu tração antes de retestar a média do próprio indicador. O detalhe importante é a geometria das bandas no RSI: as Bollinger Bands do RSI estão paralelas e inclinadas para baixo, reforçando uma tendência de baixa “organizada”, não um ruído aleatório.
Além disso, o próprio gráfico marca uma divergência bearish anterior (o sinal já apareceu e o mercado ainda está “digerindo” essa condição). Em termos de comportamento, isso costuma significar que o RSI passa um tempo incapaz de retomar a linha média com convicção, e qualquer repique tende a ser curto e controlado pelos vendedores. Quando o RSI falha repetidamente em recuperar a região neutra, o preço geralmente precisa ir buscar um suporte mais profundo para “resetar” o ciclo de momentum.
2) Estocástico KDJ (CCT Dynamic Stoch KDJ)
No KDJ, o alerta é daqueles que o mercado adora ignorar até virar tarde: a linha J, que representa a volatilidade do oscilador, perdeu estrutura e “quebrou” na direção negativa, sugerindo que a força do estocástico está virando para baixo. As linhas clássicas saíram recentemente de sobre-venda, mas o problema é o contexto: esse tipo de saída, quando ocorre sem follow-through no preço e com o mercado abaixo de resistências importantes, pode virar um bounce negativo, devolvendo o oscilador para o lado bearish e puxando uma perna de queda mais extensa.
O risco aumenta porque o KDJ pode “viajar” o range inteiro quando essa reversão fica limpa: se a virada se confirma, o movimento tende a ser suficientemente forte para empurrar o indicador de volta a extremos, e isso costuma acompanhar uma pernada de preço que busca suportes mais óbvios, como 84K.
3) BBWP e o recado da volatilidade
A leitura do BBWP é crítica aqui porque ajuda a responder a pergunta que o preço já está fazendo: “isso é apenas um susto ou é início de expansão?”. Com o BBWP começando a expandir em conjunto com um candle semanal agressivo, o mercado sinaliza que está migrando de compressão para movimento direcional. Quando a volatilidade abre para o lado vendedor, suportes intermediários deixam de ser “travas” e viram “pausas curtas”.
4) MACD e a perda de momento
O MACD fecha o conjunto com uma mensagem coerente: a linha de momentum volta a se afastar da linha de sinal, ampliando a leitura de momento negativo. O histograma, que tinha ensaiado uma estabilização, perde fôlego. Se o fechamento semanal confirmar essa estrutura, a próxima vela tende a nascer com o MACD ainda “pesado”, o que costuma limitar repiques e aumentar a chance de continuidade até um suporte técnico relevante.
Ouro: o outro lado do espelho
Enquanto o Bitcoin discute o que fazer com 90K, o ouro fez o que o ouro costuma fazer quando o mundo fica barulhento: rompeu patamar psicológico, acelerou e deixou o mercado com cara de “segunda-feira abre diferente”. Como o ouro não negocia 24×7 no mesmo regime
do cripto, a leitura para a abertura é de gap de alta (abertura acima do fechamento anterior), coerente com a dinâmica de busca por proteção.
O rompimento de 5K carrega peso simbólico e técnico. No gráfico semanal, a vela rompe com vontade a região de projeção e já passa a mirar os próximos níveis, com destaque para a zona de 5.1K como referência natural e, mais acima, projeções que o próprio desenho do gráfico já explicita. O detalhe que amarra a análise é a confluência com as bandas: a faixa de alvo coincide com a presença da Bollinger dev3 superior, aquele nível que muitas vezes funciona como “estica e devolve” em movimentos parabólicos.
A Fibonacci do ouro, aqui, está sendo usada como exercício de projeção ancorado na principal região de consolidação pós-mínima. O interessante é que o preço não só rompe a marcação como acelera acima dela, sugerindo que o mercado aceitou reconhecer um novo regime de preço. Em cenários assim, a correção pode vir, mas geralmente vem depois de um “overshoot” bem definido, quando o mercado já testou o topo da volatilidade.
Sobre o tamanho de correções: é tentador dizer que o ouro “não corrige muito”, mas a história é mais dura. O metal já passou por quedas bem maiores do que 25% em ciclos de baixa, como o movimento de 2011 até 2015, citado com recuo de 44% em análises históricas de mercado. Isso não invalida o bullish atual, só impede conclusões complacentes: mesmo um ativo de proteção pode corrigir forte quando o fluxo muda.
Com isso em mente, um cenário de retração mais adiante pode olhar para níveis de suporte estruturais do próprio ciclo (como a faixa de 0.768 do exercício, na região de 3.8K), mas isso tende a fazer mais sentido depois que o preço mostrar exaustão notopo da volatilidade, não enquanto a tendência semanal ainda está “subindo a escada com pressa”.
Conclusão macro e cenários
Fechamento semanal do BTC: 90K em risco não é só um título chamativo. É um diagnóstico técnico de curto prazo: o Bitcoin chega ao fechamento pressionando suportes-chave, com candle vendedor grande, rejeição clara em resistência (96K + EMA55/EMA50), e uma sequência de rompimentos de médias que “desmonta” o trilho do curto prazo. Se o fechamento confirmar aceitação abaixo do POC e abaixo do 0.65, o caminho até 84K (0.618) vira o cenário mais provável para teste de reação de ciclo. A defesa desse nível é o que separa uma correção controlada de uma correção que ameaça reprecificar o range inteiro até 70K.
Do outro lado, o ouro está entregando o retrato do risco-off e lembrando que, quando o capital procura proteção, ele costuma ser pouco paciente. O fato do metal estar pressionando o topo do regime de volatilidade e ameaçando abrir a semana com gap reforça a divergência entre “ativo de risco” e “porto seguro”. Se esse contraste persistir, o BTC pode continuar com dificuldade para recuperar 90K rapidamente, exigindo primeiro um suporte “de verdade” para reorganizar o momentum.
Para fechar, vale registrar o resumo do que o mercado está escolhendo na prática: menos narrativa e mais nível. E, hoje, os níveis são claros. Fechamento semanal do BTC: 90K em risco.
⚠️ Aviso
Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento. |
