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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 às 12:31
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Retrospectiva de janeiro nas notícias e no macro

Janeiro foi dominado por uma dinâmica simples e cruel: o custo do dinheiro permanece alto e a expectativa de alívio precisa ser merecida por dados. O comunicado do Federal Reserve em 28/01/2026 manteve a taxa na faixa atual e reforçou que o comitê segue dependente de dados, o que trava parte do “sonho do corte” e aumenta a sensibilidade a qualquer surpresa em inflação e emprego.

No ouro, o salto até 5.6K e o recuo subsequente ganharam leitura de “BlackSwan” porque a amplitude ficou grande demais para ser ignorada. Parte do noticiário atribuiu o movimento a reposicionamento macro e a mudanças de precificação na curva de juros e no dólar, além de ruídos políticos que mexem com expectativas de política monetária futura. Em termos práticos: quando o mercado percebe que o ouro ficou “crowded” (posicionado demais na mesma direção), qualquer faísca vira alavanca contra os atrasados.

Em paralelo, a tese estrutural de ouro como reserva não morreu, pelo contrário. Dados do World Gold Council seguem reforçando a relevância de demanda institucional e de bancos centrais no pano de fundo recente do metal. E, agora, existe um tempero novo: o ouro virou ativo digital de forma mais “plug and play” via tokenização.

A tokenização (RWA) não cria ouro do nada, mas reduz atrito. Em momentos em que investidores querem hedge com liquidez e facilidade operacional, “ouro digital” lastreado pode disputar atenção com narrativas que antes eram exclusivas do Bitcoin. A própria Tether divulga dados de oferta/crescimento do XAUT, um dos maiores tokens lastreados em ouro.

Retrospectiva de janeiro nas notícias e no macro

 

Ouro em Choque, Bitcoin em Teste

Janeiro fechou com cara de “mudança de regime” no apetite por risco. O mês começou com hype tentando romper resistências, mas terminou com o mercado lembrando que liquidez é rei, que juros ainda mandam e que hedge de verdade costuma ser cobrado em sangue quando o mundo resolve ficar sério. A fotografia do fim do mês traz duas narrativas convivendo no mesmo quadro: o Bitcoin testando suporte cíclico com perda de tração no reteste, enquanto o ouro fez um sprint parabólico até a região de 5.6K e, logo depois, um recuo igualmente violento, típico de reposicionamento forçado.

O gatilho macro mais óbvio do período foi o anúncio de juros do Federal Reserve em 28/01/2026, mantendo a faixa-alvo dos Fed Funds e reforçando o peso do “higher for longer” na precificação de ativos. A leitura de janeiro virou uma disputa entre “inflação cede o suficiente” e “crescimento aguenta”, e esse cabo de guerra mexe com tudo: dólar, juros longos, custo de carrego e, principalmente, com o preço do seguro (ouro) e com o preço do risco (cripto).

No ouro, a sequência de alta forte até a faixa dos 5.6K foi rapidamente seguida por um choque de realização, com manchetes atribuindo o movimento a uma combinação de dólar mais firme, ajuste de expectativas e ruído político em torno de nomes para o comando do Fed, cenário que costuma disparar rebalanceamentos agressivos em carteiras macro e sistemáticas. Isso é importante: não é preciso uma “guerra nova” para um ativo se mover como se fosse guerra; basta o mercado entender que o preço passou a carregar informação demais e liquidez de menos.

É nesse ponto que a frase-chave fica desconfortavelmente pertinente: Ouro em Choque, Bitcoin em Teste. Quando o mundo entra em modo hedge e o dólar perde brilho, o ouro volta a ser o idioma nativo de proteção. Quando, ao mesmo tempo, o mercado quer reduzir risco, cripto tende a sofrer primeiro porque ainda é, para a maioria dos grandes fluxos, o hedge é “não unanimidade”.


Fechamento mensal do Bitcoin

Fechamento mensal do BitcoinJaneiro repetiu o mesmo roteiro do último “Uptober”: começou tentando “parecer forte” e terminou mostrando que força sem continuidade, vira armadilha. No fechamento mensal, o preço abriu na região de 87.5K, buscou máxima perto de 87.9K, varreu fundo em 75.5K e terminou na casa de 78.8K, uma queda mensal pesada, justamente no último dia do mês.

O ponto técnico mais importante foi a perda do golden pocket 87.5K–84.0K como “limite” de correção saudável. O nível de 0.618 do ciclo está marcado em 84.0K, e o fechamento abaixo desse patamar acende o alerta clássico: quando a região de valor é rompida com convicção, o mercado costuma procurar o próximo bloco de liquidez, não o “meio-termo”. O mapa fica claro: abaixo de 84.0K, o preço entrou em zona onde o vácuo até 70.9K faz sentido como alvo técnico, com uma pausa natural em 75K por ser um número psicológico e por aparecer como zona de reação no movimento.

O candle mensal atual ainda carrega uma mensagem mista: apesar do movimento direcional ser negativo, a coloração do CCT SuperTrade 2025 sinaliza melhora relativa em “momento/tendência” na comparação com candles anteriores extremamente baixistas. Isso pode ser o primeiro cheiro de exaustão. Mas há um porém: a vela exibe sombra superior relevante e pouca sombra inferior, típico de tentativa de reação que perde fôlego, sugerindo que os compradores ainda não tomaram o controle do fechamento.

 

Volatilidade, bandas e níveis que importam

1) Bandas de Bollinger e BBWP

O painel indica BBWP em 11.56%, já encostando na região de sua média (16.19% no painel). Isso sugere que a volatilidade não está “morta”, mas também não está no pico absoluto. Em mercados de correção, isso importa: volatilidade média com tendência de queda de preço tende a favorecer continuação até que o mercado encontre suporte que “compre tempo”.

2) Médias e níveis de ciclo

No mensal, a EMA8 já está ameaçada e o preço fechou abaixo dela. A média central das Bollinger (SMA21) virou referência do “preço justo” do mês e aproxima um cenário de encontro/cross, o que costuma aumentar o ruído. A estrutura de ciclo continua tecnicamente bullish enquanto níveis maiores não forem quebrados, mas o mercado está começando a testar o limite do “bull saudável”, invadindo níveis que já chamam a tal da “dor máxima”.

3) Volume profile e zonas de liquidez

O VPVR sugere que 75K não é resistência séria. A leitura é mais cruel: se o preço voltar, 75K tende a ser apenas “degrau”, e a região que realmente muda o jogo é 71K (0.5 da retração de Fibo deste ciclo). Abaixo disso, o mercado deixa de corrigir e começa a reprecificar.

 

Osciladores do BTC e a mensagem do riscoOsciladores do BTC e a mensagem do risco

No F!72 MarketMonitor, o conjunto aponta perda de tração. O Chaikin Money Flow aparece fraco (no painel, próximo de negativo), alinhado à sensação de distribuição. O ADX no painel marca 37.98, o que é consistente com tendência forte, só que tendência forte pode ser para baixo também. Em termos de leitura conjunta: força de tendência sem fluxo comprador costuma indicar que a “mão pesada” está vendendo e o mercado está aceitando.

No CCT Dynamic Stoch KDJ, o quadro é de exaustão, mas ainda sem confirmação de reversão: as linhas colocam o sistema em sobrevenda extrema. Isso, sozinho, não é compra; é aviso de que o elástico está esticado. O detalhe incômodo é a última marcação relevante ser de viés bearish em divergência, o que mantém a hipótese de que qualquer repique até regiões altas pode virar apenas “correção da queda” antes de nova perna.

O MACD reforça o risco: histograma negativo e abrindo, com linhas saindo de cruzamento bearish e se afastando. É o desenho clássico de “momento descendo a ladeira”.

 

Market caps e dominância

O quadro de capitalização ajuda a separar “fraqueza do BTC” de “fraqueza do mercado”. O Total Market Cap cripto está em 2.63T no candle de 2 semanas, com queda de -16.14%. Ao mesmo tempo, a dominância do BTC aparece praticamente intacta em 59.59%. Isso é leitura de evasão de risco do setor como um todo, não de um colapso relativo do Bitcoin.

Nos recortes: Market Cap BTC ~1.57T, ETH ~295.06B e o agregado de alts (no seu painel) segue em tendência descendente. Tradução prática: quando o mercado quer segurança, ele não “compra alt barato”; ele sai do risco ou se abriga no ativo menos frágil do grupo.

 

Ouro: o que aconteceu e por que parece um “evento”Ouro: o que aconteceu e por que parece um “evento”

O ouro entregou um movimento que, em valor nocional, assusta até quem está acostumado com cripto. No market cap, a variação em poucos dias sugere uma transferência de valor na ordem de vários trilhões. Para ter escala: usando uma estimativa do World Gold Council de 216,265 toneladas de ouro já extraídas, isso equivale a cerca de 6.95 bilhões de onças; a 4.895K por onça, o “valor nocional” do estoque acima do solo fica perto de 34T. (World Gold Council)
No semanal, o preço fez máxima em 5.6K, desceu até 4.679K e fechou em 4.895K. Isso é um candle que carrega assinatura de liquidação e rebalanceamento. E o detalhe técnico que amarra a narrativa do “movimento orquestrado” sem precisar cair em conspiração é a precisão do reteste: o preço tocou a região de 0.768 em 4.682K praticamente no centímetro. Esse tipo de toque milimétrico acontece quando há níveis amplamente observados e grande volume de ordens condicionais.No diário, o estrago parece maior: o candle marca -8.84%, fechando abaixo da EMA8 e ainda muito distante de qualquer “normalização” pelo tempo. As bandas mostram que o topo bateu em região esticada (dev2/dev3 superiores) e a volta trouxe o preço de volta para uma zona em que o mercado pergunta: “isso aqui foi excesso ou mudança estrutural?”.

O gráfico mensal mostra um fechamento com teste cíclico bem definido:

  • Acima de 84.0K: o mercado tenta revalidar a zona perdida e reabrir caminho para recompor estrutura.

  • Entre 75K e 71K: zona de decisão, onde repiques podem ser vendidos e suportes podem ser defendidos com força.

  • Abaixo de 71K: muda o jogo. A correção deixa de ser “respiração” e passa a ser “reprecificação”. Ou seja. Fim de BullMarket.

     

Se o ouro continuar protagonizando o modo hedge, o BTC pode sofrer dois efeitos:

  1. Competição de narrativa (ouro x Bitcoin na disputa da hegemonia do próximo Hedge global).

  2. Competição por capital defensivo (na dúvida, o dinheiro grande escolhe o hedge tradicional e líquido).

Por outro lado, existe um cenário simétrico: ouro forte pode ser “termômetro” de desconfiança no fiat e no custo de dívida, e isso, em ciclos mais longos, também favorece ativos escassos. O problema é que, para o mercado aceitar o BTC como hedge em consenso, ele vai continuar passando por testes de estômago, especialmente em meses como este.

Fevereiro tende a herdar essa tensão: ouro precisa mostrar se o recuo foi apenas reset de excesso ou início de distribuição; Bitcoin precisa provar que 75K não é só um número bonito, mas um degrau de acumulação real, com fluxo e sustentação.

⚠️ Aviso

 

Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento.
O mercado de cripto é volátil e envolve riscos.
Faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões.
Invista com responsabilidade.

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