A Binance divulgou em 10 de fevereiro dados mostrando aumento de 15% no volume de saques de BTC para carteiras frias durante a semana, interpretado por analistas como movimento defensivo de investidores institucionais. O fluxo sugere rotação para preservação de capital em meio à incerteza macro, com yields dos Treasuries subindo e dollar ganhando força após indicadores econômicos americanos mais resilientes que o esperado.
Por fim, a CryptoQuant reportou em 12 de fevereiro aceleração nas saídas de exchanges spot, mas com concentração em posições alavancadas sendo fechadas. A pressão tardia observada no 4H tanto para BTC quanto ouro parece ligada diretamente a fortalecimento do dollar pós-dados de inflação PPI ligeiramente acima do consenso, desencadeando risk-off global e rotação para fiat.
Esse ambiente macro, com bancos centrais mantendo tom cauteloso e geopolítica ainda tensa, reforça o cenário de cautela. BTC: Sinais de inverno cripto se intensificam no timeframe semanal resume bem o momento técnico atual.
Price Action
No timeframe de duas semanas, a estrutura de mercado permanece firmemente baixista desde o topo histórico em 126.2K formado no final de 2025. A vela em formação, que encerra no próximo domingo, apresenta rejeição precisa e repetida nas médias de curto prazo — especificamente a EMA8 e EMA12, que funcionam como resistência dinâmica desde o início da correção. Cada tentativa de recuperação é absorvida com eficiência pelos sellers, sem permitir fechamento convincente acima dessas linhas. Essa dinâmica clássica de topos descendentes reforça a mudança de caráter (CHOCH) ocorrida ainda em janeiro.
A expansão de volatilidade observada na agulhada recente até os 60K levou o preço a explorar a banda Dev 3 inferior das Bollinger Bands triplas, marcando um pico de extensão descendente. A sombra inferior longa formada nesse movimento indica defesa instintiva dos compradores, mas o corpo vermelho dominante e o fechamento próximo das mínimas mostram que a reação foi limitada a um reflexo técnico, não a uma reversão genuína. Quando o preço toca zonas extremas de volatilidade sem continuação alta imediata, isso costuma sinalizar continuação da tendência principal, especialmente em contextos de distribuição como o atual.
Outro elemento crítico é o posicionamento em relação ao VPVR: a linha vermelha do Point of Control (POC) principal, consolidada em torno dos 67K, está sob teste direto. Um fechamento semanal abaixo desse nível removeria suporte histórico por volume aceito, abrindo caminho para vácuo de liquidez inferior. Combinado ao risco de perda do nível 0.5 da Fibonacci All-Time — traçada do fundo cíclico em 15.5K até o ATH —, teríamos confirmação robusta de reversão de tendência de longo prazo. Não identificamos padrões gráficos clássicos completos como cunha ou triângulo ascendente; o que vemos é um canal descendente amplo com expansões direcionais bearish.
Candlesticks
As velas de duas semanas formam uma sequência bearish com corpos robustos e sombras que contam histórias claras de disputa. A vela atual, por exemplo, combina sombra inferior pronunciada (defesa nos 60K) com corpo vermelho dominante, configurando um padrão semelhante a hanging man em tendência de baixa já estabelecida — sinal clássico de continuação, onde a tentativa de alta é rapidamente anulada. Não há formação de martelo clássico ou engolfo bullish; as sombras superiores mínimas nas velas anteriores reforçam pressão vendedora implacável.
Nas duas velas completas anteriores, os corpos vermelhos sucessivos com fechamentos progressivamente mais baixos indicam exaustão compradora acumulada. Essa combinação transmite distribuição contínua, sem dar espaço para contestação sustentável dos bulls.
Setup Técnico
Médias Móveis Fibonacci
O empilhamento das médias Fibonacci segue hierarquia bearish perfeita, com todas as linhas relevantes (EMA8, EMA13, SMA21, EMA34, SMA55, linha de tendência do indicador F!72 SuperTrade, EMA144, EMA233) atuando como resistência superior. Particularmente interessante é o afastamento crescente entre a EMA21 e a SMA21 (média central das Bollinger): essa divergência indica que o impulso descendente ainda possui margem significativa antes de qualquer sinal de exaustão de curto prazo. Médias mais pesadas permanecem inclinadas negativamente, confirmando tendência estrutural de baixa.
Bandas de Bollinger Triplas
As Triple Bollinger Bands, com desvios padrão 1, 2 e 3 sobrepostos, criam três regiões distintas: a interna (Dev 1) para volatilidade normal, a intermediária (Dev 1-2) para extensão moderada e a externa (Dev 2-3) para movimentos extremos. O preço operando colado na Dev 3 inferior marca entrada plena em zona de alta volatilidade direcionada para baixa. O BBWP em apenas 9% é leitura crítica: valores tão baixos sinalizam que a descompressão de volatilidade está apenas começando, não terminando. Historicamente, expansões a partir de squeeze assim geram pernas fortes e prolongadas.
A interação com price action reforça: toques na Dev 3 sem reversão imediata costumam preceder acelerações, especialmente quando acompanhados por CVD vendedor.
Volume e Liquidez
O Cumulative Volume Delta (CVD) apresenta linha roxa em aceleração negativa consistente, indicando pressão vendedora dominante e crescente. Mesmo nos toques de mínima, os resquícios verdes são pontuais e rapidamente anulados, sem formar divergência bullish relevante. Isso sugere distribuição institucional ordenada, não pânico varejo.
No VPVR, o POC principal em 67K funciona como último bastião de suporte por volume aceito. Zonas de vácuo abaixo abrem espaço para queda rápida caso perdido. O perfil extendido mostra que o mercado apenas “passou” por regiões inferiores recentes, sem aceitação real de preço — configuração clássica de aspirador de liquidez descendente.
Osciladores
O CCT Dynamic Stoch KDJ ilustra perfeitamente o fenômeno do “bouncing bearish”: após reset parcial em sobrevenda, o indicador reverte com violência maior que o movimento anterior, computando cerca de 40% de queda nas últimas duas velas combinadas. A linha J puxa momentum para baixo de forma agressiva, com cruzamento bearish em curso e espaço amplo para continuação.
O RSI semanal opera colado na banda inferior de suas próprias Bollinger Bands — configuração que historicamente precede acelerações descendentes no Bitcoin. Topos e fundos descendentes claros, saindo da linha 40 com divergência bearish prévia, confirmam ausência de força compradora sustentável. Não há sinal de divergência positiva.
O MACD mantém histograma em expansão negativa, com linha de sinal atuando como resistência e distância crescente da zero line. O F!72 MarketMonitor complementa com WaveTrend entrando em sobrevenda inicial e Chaikin Money Flow ainda sem recuperação convincente nas barras verdes. A interação entre osciladores é unânime: momentum, força e fluxo alinhados para baixa.
Suportes e Resistências
Suportes:
- 67K (POC VPVR principal)
- 60K (mínima recente com sombra)
- 57.8K (extensão fibo 1.618)
- 52K (vácuo histórico)Resistências:
- 70.9K (EMA8/EMA12 cluster)
- 79.5K (nodo secundário VPVR)
- 100.5K (pacote médias superiores)
- 126.2K (ATH estrutural)
Sentimento de Mercado
Enquanto parte da comunidade celebra possíveis fundos baseados em métricas antigas de ciclos halving, a realidade atual reflete mudança estrutural com entrada pesada de capital institucional. Esses players não operam com o romantismo dos primeiros anos: não hodlam indefinidamente, não compram narrativa de “1BTC=1BTC”, não mineram nem fazem DCA cego independentemente de preço. Institucionais ajustam portfólios racionalmente, realizando ganhos em topos e reduzindo exposição em correções profundas.
A velocidade desta queda — evaporação de 50% da valorização acumulada em quinze anos em apenas quatro meses — não é capitulação varejo clássica, mas rotação ordenada para ativos com melhor risco/retorno no momento. Sem catalisadores frescos como aprovações regulatórias massivas ou promessas políticas do ciclo anterior, o smart money distribui posições acumuladas no topo de 2025. O varejo ainda clama por salvação institucional, mas o comportamento observado é de preservação de capital, não acumulação agressiva.
ETH 2W
Para o Ethereum, o gráfico de duas semanas mostra toque preciso na EMA200, ecoando março de 2025 quando gerou repique forte até nova ATH. O POC permanece ancorado na mesma região (~1.6K-1.8K), sugerindo potencial para fundo duplo caso defendido com volume. No entanto, osciladores possuem espaço adicional para baixa, e a dependência do Bitcoin limita independência — qualquer repique seria suscetível à nave-mãe pedindo mais liquidez inferior.
Market Caps
Os market caps amplificam o quadro: total cripto perdendo EMA200 semanal e aproximando-se de patamar crítico abaixo dos 2T; ETH sangrando capital de forma mais contundente que o BTC, ampliando desconfiança em consolidação de topo duplo; Total3 (alts sem BTC/ETH) em mínimas desde 2023; domínio BTC subindo não por mérito próprio, mas por perda proporcional menor. Essa dinâmica reforça inverno setorial, com capital rotacionando para fora de risco puro.
Conclusão
Amarrando macro risk-off, price action de continuação com volatilidade descomprimindo para baixa, volume distribuindo via CVD, osciladores alinhados bearish e ausência de agressão compradora, o cenário dominante aponta extensão do inverno cripto. Fechamento semanal abaixo de POC 67K e nível 0.5 fibo cíclico confirmaria aceleração descendente com alvo em zonas de vácuo inferiores. BTC: Sinais de inverno cripto se intensificam no timeframe semanal segue como leitura realista — preserve capital até sinais claros de reversão.
No ouro, o metal precioso retesta o golden pocket da correção recente, perdendo médias rápidas e fechando abaixo do POC em torno dos 4.9K-5K. Apesar da pressão tardia de hoje (ligada a dollar forte pós-dados americanos), a estrutura maior mantém fundos ascendentes, com preço lutando mais para romper resistência psicológica dos 5K do que para defender suportes. Tendência de alta de longo prazo como safe haven permanece intacta em meio à fragilidade macro global.
⚠️ Aviso
Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento. |
