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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 às 17:54
Saiba porque o SMC ficou obsoleto!

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A virada do fim de semana para esta terça-feira aconteceu em um ambiente clássico de aversão a risco, com um gatilho político bem específico: a escalada de ameaças tarifárias do presidente Donald Trump contra países europeus, amarradas ao ruído diplomático envolvendo a Groenlândia, aumentou o prêmio de incerteza e contaminou bolsas globais. A combinação de ameaça de tarifas, retaliação potencial e deterioração do humor em ações costuma virar um “vento de frente” para cripto, porque reduz a tolerância do investidor a ativos mais voláteis.

Esse clima não ficou só no discurso, virou preço. A sessão de 20/01 foi marcada por um selloff amplo, com Wall Street registrando a pior queda desde outubro, enquanto o dólar enfraquecia e o mercado buscava proteção. O detalhe importante para leitura macro é que, quando a narrativa é “crise fabricada por política”, o mercado tende a punir primeiro o risco e premiar o refúgio, criando um cenário em que ouro e moedas fortes ganham fluxo mesmo sem mudanças econômicas estruturais no curtíssimo prazo.

Dentro de cripto, o comportamento típico apareceu como uma limpeza de alavancagem. Dados divulgados por agregadores mostraram mais de US$ 680 milhões em posições liquidadas em 24 horas, com predominância do lado comprado, um padrão que costuma acelerar quedas “sem drama” (movimentos constantes ao longo do dia), porque o mercado vai batendo stops e desmontando margem em sequência. Esse tipo de fluxo deixa um rastro técnico bem reconhecível: velas longas, pouco pavio inferior e repiques curtos falhando em médias.

Bitcoin na lama, Ouro na Lua

O contraste desta janela é que, mesmo com uma manchete forte de compra corporativa, o mercado preferiu reduzir risco. A Strategy (Michael Saylor) reportou aquisição de aproximadamente 22.305 BTC (cerca de US$ 2,13 bilhões) entre 12 e 19 de janeiro, elevando sua posição para 709.715 BTC. É um fluxo relevante, mas que, sozinho, não neutraliza um regime de aversão a risco com desalavancagem, especialmente quando a própria dinâmica de produtos institucionais alterna dias de entradas e reversões, dificultando a sustentação de ralis em níveis técnicos grandes.

 

Bitcoin: price action e níveis decisivos

 

O movimento desde o domingo foi didático na sua “falta de misericórdia” com o comprador atrasado. A vela semanal fechou abaixo das médias curtas que funcionam como bússola de curto prazo (a região da EMA8 e da SMA21, que coincide com a linha central das Bollinger), com pouca ou nenhuma sombra compradora relevante. Esse fechamento tem um efeito psicológico e técnico: ele transforma o repique seguinte em reteste e não em retomada, porque o preço já “aceitou” trabalhar abaixo da zona de conforto.

A segunda-feira abriu com o padrão mais comum de correção bem comportada: reteste em média de referência e devolução. A EMA34, que vinha guiando a correção desde a ruptura pós-ATH, foi testada e, em vez de servir como trampolim, funcionou como teto. Esse é o tipo de reteste que dá contexto para o que veio depois: a queda de hoje não precisou ser um único golpe; ela aconteceu como uma escada descendente, com pressão de venda constante e respiro curto.

Nesta terça, a vela diária ganhou corpo de “capitulação controlada”: queda expressiva, praticamente sem pavio inferior e com tentativa de repique sendo rejeitada perto da região das médias curtas. O preço chegou ao ponto que vinha sendo tratado como ímã de liquidez e suporte de curto prazo: o POC atual em 87,7K. O toque no POC é relevante por dois motivos: (1) porque valida que o mercado está, de fato, buscando o bolso de volume mais negociado recente, e (2) porque, quando o POC falha, a próxima busca costuma ser por um “degrau” inferior, e não por um retorno imediato ao topo do range.

O mapa de níveis confirma que a briga está onde deveria estar. A banda inferior da Bollinger Dev2 aparece na região de 88,9K, já acima do preço, reforçando que o movimento está operando fora do “corredor” mais comum do curto prazo, enquanto a Dev3 inferior se projeta em torno de 86,3K, como próximo nível estatístico caso o POC não segure. Acima, a área que havia sido defendida na narrativa anterior permanece como resistência-mãe: a região de 96K, alinhada ao patamar de 0.768 (96,9K), segue como checkpoint técnico que, por enquanto, funcionou mais como zona de rejeição do que como porta para continuação.

 

Osciladores, divergências e regime de tendência

 

O painel técnico do BTC reforça que não se trata apenas de “um susto”. O ADX em 33,19 sinaliza regime de tendência forte, e, quando o ADX sobe em queda, o mercado costuma punir tentativas prematuras de compra antes de um nível de volume realmente dominante. A leitura de volatilidade também não é neutra: o BBWP em 83,26%, acima da média indicada (69,51), sugere que a expansão de volatilidade está ativa e pode continuar alimentando candles amplos, com alternância curta entre aceleração e pequenas pausas.

Nos osciladores clássicos, o recado é coerente com o price action. O RSI em 39,11 aparece abaixo da média, caracterizando fraqueza de regime e não necessariamente “sobrevenda de fundo”. O MACD em -738,09, abaixo do sinal, e o Momentum em 40,47 reforçam a continuidade baixista. E o monitor multi-timeframe de estocásticos, todo apontando para baixo, descreve um mercado em que até os repiques intradiários têm dificuldade de virar a mão, porque a pressão se espalha por várias janelas temporais.

A Imagem 2 ajuda a entender por que o topo recente foi tão “frágil”. O estocástico KDJ sinaliza uma deterioração típica de topo: enquanto o preço ainda conseguia marcar uma última pernada de alta no impulso final, o KDJ já não acompanhava com a mesma força, imprimindo divergência bearish e, depois, virando de forma agressiva. O resultado é visível nos valores atuais: K em 9,27, D em 29,2 e J em -30,58, todos profundamente comprimidos na zona de sobrevenda. Isso não garante reversão automática, mas costuma indicar que a pernada de queda já drenou bastante energia do curto prazo e entra na fase em que o mercado decide entre (a) lateralização para recompor, ou (b) nova perna de queda caso a liquidez do POC falhe.

O detalhe mais interessante é a assimetria entre indicadores: a divergência bearish aparece de forma mais clara no estocástico do que no RSI. Em termos práticos, isso acontece quando o RSI “resiste” por inércia (ele é menos sensível a certas micro-oscilações do impulso final), enquanto o estocástico acusa cedo a perda de tração do movimento, principalmente quando o topo vem acompanhado de distribuição e repiques curtos. Essa diferença de leitura costuma ser valiosa em tendência: o RSI ajuda a identificar regime (forte/fraco), e o KDJ costuma ser mais rápido para avisar que a última perna de alta já virou uma armadilha de liquidez.

 

 

O painel técnico do BTC reforça que não se trata apenas de “um susto”. O ADX em 33,19 sinaliza regime de tendência forte, e, quando o ADX sobe em queda, o mercado costuma punir tentativas prematuras de compra antes de um nível de volume realmente dominante. A leitura de volatilidade também não é neutra: o BBWP em 83,26%, acima da média indicada (69,51), sugere que a expansão de volatilidade está ativa e pode continuar alimentando candles amplos, com alternância curta entre aceleração e pequenas pausas.

Nos osciladores clássicos, o recado é coerente com o price action. O RSI em 39,11 aparece abaixo da média, caracterizando fraqueza de regime e não necessariamente “sobrevenda de fundo”. O MACD, abaixo do sinal, e o Momentum em 40,47 reforçam a continuidade baixista. E o monitor multi-timeframe de estocásticos, todo apontando para baixo, descreve um mercado em que até os repiques intradiários têm dificuldade de virar a mão, porque a pressão se espalha por várias janelas temporais.

O Gráfico ajuda a entender por que o topo recente foi tão “frágil”. O estocástico KDJ sinaliza uma deterioração típica de topo: enquanto o preço ainda conseguia marcar uma última pernada de alta no impulso final, o KDJ já não acompanhava com a mesma força, imprimindo divergência bearish e, depois, virando de forma agressiva. O resultado é visível nos valores atuais: K em 9,27, D em 29,2 e J em -30,58, todos profundamente comprimidos na zona de sobrevenda. Isso não garante reversão automática, mas costuma indicar que a pernada de queda já drenou bastante energia do curto prazo e entra na fase em que o mercado decide entre (a) lateralização para recompor, ou (b) nova perna de queda caso a liquidez do POC falhe.

O detalhe mais interessante é a assimetria entre indicadores: a divergência bearish aparece de forma mais clara no estocástico do que no RSI. Em termos práticos, isso acontece quando o RSI “resiste” por inércia (ele é menos sensível a certas micro-oscilações do impulso final), enquanto o estocástico acusa cedo a perda de tração do movimento. Essa diferença de leitura costuma ser valiosa em tendência: o RSI ajuda a identificar regime (forte/fraco), e o KDJ costuma ser mais rápido para avisar que a última perna de alta já virou uma armadilha de liquidez.

Ouro: nova ATH e a procura por refúgio – Gráfico 1D

Enquanto o BTC buscava liquidez para baixo, o ouro seguiu a lógica oposta: prêmio de incerteza maior, demanda por proteção maior. No noticiário, o metal renovou recordes acima de US$ 4.700/oz, em um movimento associado explicitamente ao aumento de tensões políticas e risco de guerra comercial, com investidores migrando para ativo de refúgio. O dado casa com o comportamento de mercado do dia: quando o risco político domina a pauta, o ouro tende a absorver fluxo mesmo com oscilações de curto prazo em juros e dólar. (Reuters)

No price action, a estrutura é de tendência de alta bem “limpa”. O ouro trabalha na região de 4,761K, muito próximo do topo, e acima da EMA8, que tem funcionado como guia dinâmico de curto prazo. A impressão do gráfico é a de uma escadaria ascendente: candles de alta predominantes, correções relativamente curtas e retomadas rápidas, padrão típico de compra consistente. As bandas superiores (Dev2 e Dev3) se projetam acima do preço, indicando que ainda existe espaço estatístico para extensão, embora o fato de o preço estar “esticado” perto do topo aumente a sensibilidade a realizações pontuais.

Os osciladores confirmam força, mas também alertam para o custo dessa força: o KDJ está em sobrecompra extrema, com K em 99,57, D em 90,07 e J em 118,56. Isso, por si só, não é sinal de venda; em tendências fortes, o ouro pode permanecer sobrecomprado por períodos longos. Porém, a leitura prudente é que qualquer realização curta tende a ser rápida e técnica, mirando médias ou zonas internas das bandas, antes de uma nova tentativa de continuação. Os demais elementos do painel sugerem que o fluxo ainda favorece o metal: a estrutura de momentum permanece positiva e, mesmo com oscilações, a pressão compradora segue dominante, o que é compatível com a narrativa de “busca por proteção” em meio a incertezas geopolíticas.

 

Conclusão:  o mesmo evento, dois ativos, duas respostas

 

O quadro dos últimos dias deixou um contraste útil para leitura macro: o BTC reagiu como ativo de risco em ambiente de incerteza política, e o ouro reagiu como refúgio. O gatilho que costura os dois movimentos não parece ser “uma notícia específica de cripto”, e sim a mudança de humor causada por risco geopolítico e ameaça de tarifas, que favorece desalavancagem e reduz a tolerância do investidor a volatilidade. Nesse ambiente, o mercado de derivativos faz o que sempre faz: limpa excesso, empurra preço para bolsões de volume e obriga o gráfico a “provar” suportes.

No BTC, o toque no POC de 87,7K virou o ponto de validação do cenário de curto prazo. Se o POC absorver e o mercado conseguir, nos próximos candles, recuperar o corredor estatístico das bandas (especialmente acima da região da Dev2 inferior), abre-se espaço para uma lateralização de recomposição ou até um repique técnico. Se falhar, a leitura de tendência (ADX alto, volatilidade elevada e osciladores pressionados) sugere que a busca por liquidez pode continuar para os níveis inferiores mais prováveis. Já no ouro, a nova máxima reforça que, quando a incerteza política aumenta, parte do capital prefere a “previsibilidade” do refúgio, ainda que isso empurre os osciladores para sobrecompra e eleve o risco de realizações pontuais. E é justamente essa divergência de comportamento entre BTC e ouro que, neste momento, ajuda a entender o que o mercado está precificando: mais medo no macro, mais cautela no risco, mais demanda por proteção.

⚠️ Aviso

 

Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento.
O mercado de cripto é volátil e envolve riscos.
Faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões.
Invista com responsabilidade.

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