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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 às 15:18
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Bitcoin pede Socorro!

Entre 30/01 e 03/02, o pano de fundo ficou com cara de “risk-off raiz”: o mercado viu um choque de expectativa vindo da política monetária, com a nomeação de Kevin Warsh para suceder Jerome Powell na presidência do Federal Reserve em maio, e isso mexeu com o preço de ativos sensíveis a juros, dólar e alavancagem.

Ao mesmo tempo, o ouro protagonizou um daqueles eventos que parecem exagero até a tela provar o contrário: depois de marcar recorde em 29/01 (US$ 5,594.82/oz), veio uma queda brutal na sexta (9,8%) e a sequência de liquidação continuou na segunda, com o metal ainda caindo forte e chegando a acumular quase US$ 900 abaixo do topo recente. Isso é o tipo de movimento que costuma “expulsar turista” do mercado, porque exige margem, estômago e gerenciamento de risco que pouca gente tem.

O detalhe técnico que transforma correção em “aspirador de alavancagem” foi a decisão da CME Group de elevar exigências de margem em futuros de metais preciosos. Quando a corretora aumenta o custo para manter posição, o mercado não debate, ele obedece: posições são reduzidas, stops viram cascata e a volatilidade se retroalimenta.

E onde entra cripto nisso? Entra no lugar que dói: o Bitcoin ainda é pequeno quando comparado ao oceano de liquidez que existe em commodities e taxas. Quando o capital decide migrar para hedge tradicional (ou simplesmente reduzir risco), cripto costuma ficar por último na fila do “abraço institucional”. O resultado, no período, foi a leitura clara de compressão de liquidez e uma rota de colisão com suportes de ciclo, exatamente quando o mercado já vinha fragilizado por rejeições em médias e por sinais de perda de tração nos osciladores.

Bitcoin pede Socorro!

Bitcoin em Queda Livre no gráfico diárioBitcoin em Queda Livre no gráfico diário

O candle de hoje (03/02) é didático: após um ensaio de recuperação frustrado no dia anterior, o mercado respondeu com um engolfo bearish mais “pesado” que a tentativa de alta. Esse tipo de estrutura costuma fazer duas coisas ao mesmo tempo: (1) destrói a narrativa do alívio e (2) força a mão de quem estava tentando antecipar fundo com alavancagem.

Pelo desenho, o preço já entra em território de “queda livre” no sentido prático: abaixo dos suportes dinâmicos relevantes, sem médias importantes servindo de piso imediato e com o preço escorregando dentro de uma zona de valor onde a liquidez é rarefeita. Na imagem, a perda da linha marcada em 74.4K é o alerta que muda o tom do mercado: se quisermos ser criteriosos, a violação do fundo ascendente anterior é o tipo de evento que, em leitura SMC, começa a parecer um CHoCH (mudança de caráter) em construção, porque o mercado deixa de respeitar a sequência de fundos e topos que sustentava a estrutura.

Aí entra a parte que separa “correção saudável” de “correção de dor máxima”. O preço não só perdeu o golden pocket do ciclo como também começa a flertar com níveis mais fundos de retração, onde o próximo degrau relevante passa a ser a região de 71K (zona de retorno de volume) e, abaixo dela, o imaginário coletivo volta a ouvir aquele número que sempre reaparece quando ninguém quer falar: 69K.

E aqui surge uma segunda régua que reforça a gravidade do movimento: a “ALL TIME FIBO” (do fundo macro ao ATH). Nela, o mercado também pressiona o golden pocket e coloca no radar o 0.5 em 63.1K como alvo potencial caso a estrutura atual não seja recuperada com força. Esse não é um cenário “base”, mas é um cenário que passa a existir quando o mercado perde suportes estruturais e entra em vácuo de liquidez.

O que pode acontecer se a mínima do fundo ascendente anterior não for defendida

Quando uma mínima estrutural cai, o mercado tende a procurar três coisas, nessa ordem:

  1. Liquidez abaixo do rompimento: stops e ordens pendentes são varridos rápido. Isso explica acelerações e pavios longos em sequência.

  2. Zona de valor (VAL) seguinte: se o preço já está “no meio do VAL”, ele tende a caminhar até o final dele. No gráfico, essa “escada rolante” aponta para 70.9K como área onde o perfil volta a engrossar.

  3. Novo POC de controle: na imagem, o POC estendido em 67.1K vira um ímã se o mercado confirmar que perdeu o antigo “bastião” de suporte por volume.

Ou seja: abaixo de 74K, o mercado não “precisa” cair, mas ele passa a ter um caminho muito mais fácil para cair do que para subir, porque a liquidez está mais disponível para baixo do que para cima.

Osciladores e fluxo: a tese do long squeeze ganha corpoOsciladores e fluxo: a tese do long squeeze ganha corpo

O quadro de indicadores do diário está gritando “tendência forte e feia”:

1) ADX em zona de tendência forte

No diário (IMG1), o ADX aparece alto (36.88), típico de movimento com direção e continuidade. Tendência forte não é sinônimo de “boa”, é sinônimo de “difícil de reverter”.

2) Bollinger: preço em breakdown e BBWP extremo

O setup marca “Price in Break Down” e um BBWP em 97.42% (subindo), o que sugere expansão de volatilidade em modo pânico. Quando BBWP estoura e o preço está rompendo para baixo, o padrão mais comum é continuação com repiques curtos e violentos, não reversão limpa.

3) RSI e momentum no porão

RSI abaixo da média (24.64) e momentum muito negativo. Isso reforça o ponto principal: sobrevenda aqui é condição, não gatilho. O mercado pode ficar “barato” por mais tempo do que a coragem de quem comprou cedo.

4) MACD: o vilão com potência

MACD bem abaixo do sinal e abrindo para baixo. A metáfora é simples: se o preço tentava subir com um pneu amarrado, agora penduraram outro. O “motor” do movimento segue apontando para continuação, mesmo que haja repiques técnicos.

5) WaveTrend e CMF: pressão vendedora persistente

Na IMG2, o WaveTrend despenca e segue sinalizando para baixo. O CMF luta perto da linha do zero, mas sem uma virada clara. Esse combo costuma indicar que qualquer alívio é vendido enquanto o fluxo não muda de lado.

6) CVD: primeira leitura bearish do ano

A leitura mais simbólica da IMG2 está no CVD: pela primeira vez no ano, opera-se em zona bearish/distribuição. Mesmo com trechos ainda positivos, o comportamento recente mostra pressão vendedora e amplitude pior, coerente com o preço descendo em tendência.

7) KDJ: o “bouncing” que amplifica vela

O estocástico (KDJ) reforça um comportamento recorrente: quando tenta sair da sobrevenda e falha, a reação seguinte costuma vir com amplitude maior do que “todo o passeio do oscilador”. No print, o KDJ volta a afundar com K/D muito baixos, e a linha J (volatilidade) já dá sinais de reversão do fraco cruzamento bullish. É o tipo de leitura que combina perfeitamente com squeeze: o mercado dá esperança, puxa o tapete, e a vela cresce como se tivesse tomado café duplo.

O semanal: a escadinha de rejeições e o cheiro de virada de tendênciaO semanal: a escadinha de rejeições e o cheiro de virada de tendência

No semanal (IMG3), o cenário fica ainda mais perigoso porque o preço começa a desenhar uma “escadinha” de rejeições em médias fibonácicas consecutivas: rejeição na EMA55, rejeição na midterm line do setup, e agora uma terceira rejeição buscando a EMA144. Três rejeições em sequência não “confirmam” bear market macro, mas constroem a premissa de mudança de regime: o mercado deixa de respeitar suportes dinâmicos e passa a usar médias como teto.

E se o próximo degrau for a EMA233, ela aparece bem abaixo, na região que conversa com a ALL TIME FIBO e com o POC estendido. Em outras palavras: o mercado está “sem muito para onde correr” se a defesa de 74K falhar e 71K não segurar. Aí o velho 69K deixa de ser piada histórica e vira nível operacional.

Ouro: correção agressiva, mas estrutura ainda vivaOuro: correção agressiva, mas estrutura ainda viva

Enquanto o Bitcoin apanha da estrutura, o ouro mostra outra história. No diário (IMG4), após a varrida violenta, aparece reação com cara de “mercado não satisfeito com a queda”: um engolfo bullish e reteste na EMA8 com rápida tentativa de retomada. Mesmo com WaveTrend e MACD ainda virados para baixo, a leitura de divergência de volume e recuperação de preço sugere que a queda pode ter sido mais limpeza de especulação do que mudança de tendência. Isso é coerente com a narrativa reportada: liquidação forte, margem mais cara e saída de especulador.

No semanal (IMG5), o contraste com o BTC é quase cruel: o ouro “nem se abalou” no macro. A correção vira pavio, o reteste da EMA8 acontece, e o preço volta a trabalhar acima rápido, ao mesmo tempo em que a região da fibo (0.768 da bullrun) é respeitada como área de reação. A leitura final é simples: foi uma chacoalhada gigantesca (em dólares absolutos), mas a estrutura de alta ainda parece intacta.
Ouro: correção agressiva, mas estrutura ainda viva

Conclusão

Bitcoin em Queda Livre não é um bordão dramático, é uma descrição operacional do que acontece quando o preço perde suportes de ciclo e passa a caminhar por regiões onde a liquidez é mais fina do que o necessário para segurar alavancagem. O mercado já vinha avisando: rejeições em médias, fraqueza em osciladores e um MACD abrindo para baixo criaram um ambiente em que qualquer recuperação parecia “emprestada”, não conquistada. Quando a mínima do fundo ascendente anterior entra em violação, o jogo muda de regra: a pergunta deixa de ser “onde está o fundo?” e passa a ser “qual é o próximo bloco de liquidez onde o mercado consegue respirar?”. Nesse mapa, 71K vira parada provável, 67K vira ímã (POC estendido), e a região de 63K (0.5 da ALL TIME FIBO) deixa de ser teoria distante e vira cenário condicional caso o fluxo não mude.

Do lado dos indicadores, o diagnóstico é coeso: volatilidade expandindo (BBWP extremo), tendência forte (ADX alto), momentum fraco e osciladores sem sinal limpo de reversão. O CVD tocando regime bearish e o WaveTrend despencando reforçam a mesma história com outra linguagem: o mercado está distribuindo, não acumulando. Em ciclos assim, repiques existem, mas eles costumam servir mais para reposicionamento do que para “recomeço de alta”, até que o preço reconquiste níveis e médias com convicção.

A grande ironia do momento é que o ouro, mesmo após uma limpeza histórica amplificada por margem e alavancagem, mantém uma estrutura macro muito mais resiliente. Isso ajuda a entender o desconforto central: o capital que deveria “correr para cripto” como hedge moderno ainda prefere o cofre antigo. E isso não invalida a tese de longo prazo do Bitcoin, mas expõe uma verdade incômoda para o curto e médio prazo: quando o mundo aperta o cinto, cripto ainda é o último convidado a entrar na sala dos hedges. Bitcoin em Queda Livre segue sendo, portanto, mais um teste de maturidade do mercado do que um evento isolado: quem sobreviver a esta fase não é quem acertar o fundo, e sim quem respeitar a estrutura, a liquidez e o risco.

⚠️ Aviso

Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento.
O mercado de cripto é volátil e envolve riscos.
Faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões.
Invista com responsabilidade.

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