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No domingo passado a leitura foi bem direta: vela de indecisão, fechamento acima dos 87.5K (golden pocket), mas com pouca cara de “virada”, e um cenário típico de fim de ano em que a falta de volume empurra o preço para retestes chatos do mesmo nível. Hoje, dia 23/12/2025, é exatamente isso que está se desenhando: mercado mais fino, range mais curto, e o Bitcoin orbitando essa faixa como se o 87.5K fosse o piso “mínimo aceitável” para não estragar a foto do mês. Esse comportamento combina com o tom do noticiário de ontem: a própria mídia financeira chamou atenção para liquidez mais baixa no período festivo e para o BTC “parado” em torno de 88K enquanto o mercado espera catalisadores macro. O segundo vetor desses dois dias é a mecânica do derivativo mandando mais que a narrativa: a semana está carregada por um vencimento enorme de opções concentrado no fim do ano, com destaque para Deribit, e isso costuma “puxar” o preço para zonas onde o mercado consegue respirar melhor (e onde a dor é mais distribuída). CoinDesk falou em um reset de fim de ano com dezenas de bilhões em opções de BTC e ETH expirando, e o Yahoo reforçou o clima de “sem rally de Natal” justamente porque a liquidez está menor e o mercado está recalibrando risco nessa virada. |
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Do lado institucional, o sinal mais emblemático destes últimos dois dias foi a ausência de agressividade justamente onde o varejo costuma esperar “salvação”. A Barron’s destacou que a Strategy (um dos símbolos da demanda corporativa por BTC) pausou compras na última semana, mesmo após levantar recursos via venda de ações, o que o mercado leu como postura mais cautelosa em vez de ataque na correção. Isso não é uma tese de “institucional desistiu”; é uma leitura de timing: no fim do ano, muita gente grande prefere preservar munição e reduzir risco de execução em mercado fino. E quando essa perna não empurra, sobra para o varejo tentar “arrumar o candle” no curto prazo — exatamente o tipo de contexto que mantém o preço rondando 87.5K sem conseguir fazer um rompimento convicto para cima.
Enquanto isso, no plano regulatório — que é o que realmente separa “cripto amador” de “cripto infraestrutura” — teve avanço relevante: o FDIC aprovou uma proposta de regra para estabelecer procedimentos de aplicação sob o GENIUS Act, criando um trilho formal para instituições supervisionadas solicitarem aprovação para emissão de stablecoins por subsidiárias. É uma notícia grande para 2026 porque fortalece a ideia de stablecoin como encanamento financeiro regulado; mas, no curtíssimo prazo, ela não resolve o problema do gráfico: tese de longo prazo melhora, mas o preço ainda obedece liquidez e derivativo. Por isso, o cenário “morno” segue o mais provável: sem volume novo, o mercado continua testando 87.5K; se sustentar, pode tentar um fechamento menos feio mais perto de 90K, e se falhar, o reteste do fundo do pocket volta para a mesa.
Bitcoin: Gráfico diário

O diário do BTC está entregando exatamente o roteiro que foi antecipado no domingo: sem volume de verdade e com liquidez de fim de ano, o preço fica “grudado” no 87.5K, que é o topo do golden pocket (0.65). O mercado tenta manter a faixa por teimosia e por estética de fechamento, mas sem aquelas velas que convencem defesa; vira um jogo de reteste repetido, onde cada candle parece mais “administração de risco” do que ataque. E isso casa com a estrutura do movimento: depois da queda forte, o BTC entrou num range curto, respirando, mas ainda sem força para mudar o humor.
O setup reforça a falta de convicção: EMA8 e a média central da Bollinger (SMA21) seguem inclinadas para baixo e andando juntas, o que costuma transformar qualquer alta em repique e não em retomada. A região acima já aparece “carimbada” como resistência curta, na faixa de ~89.8K–90.9K (zonas superiores das bandas), enquanto o mercado continua distante do ponto de maior concentração de negociações perto de 96K. Se o preço continuar aceitando essa área de ~88K por muitos dias, cresce a chance de o “centro” do volume ir descendo, o que torna uma volta para 96K mais trabalhosa depois.
Por baixo, o mapa está bem objetivo: perder o topo do pocket reacende a briga na região das bandas inferiores, ~85.5K (dev2) e ~84.4K (dev3), e o nível que realmente separa correção controlada de aprofundamento segue sendo a base do golden pocket (0.618 em ~83.9K). O alerta extra vem do CVD em queda, porque ele sugere que o fluxo agressivo não está acompanhando a tentativa de estabilização do preço; quando o preço “segura” mas o CVD piora, a alta tende a nascer frágil e qualquer vacilo pode virar mais uma agulhada. Em resumo: cenário de fim de ano com pouca gasolina, muito reteste e o mercado tentando manter 87.5K vivo — mas ainda sem mostrar o músculo que faria isso virar alta de verdade.
Osciladores
Os osciladores continuam contando a mesma história do preço: o mercado está “parado” em cima do golden pocket, mas por dentro ainda não respira alívio de verdade. O RSI permanece na faixa dos 40 e poucos, tentando estabilizar sem ganhar tração, e isso é típico de correção que vira “moedor de paciência”: não cai em linha reta o tempo todo, mas também não entrega força suficiente para chamar de retomada. O próprio sinal de Divergência Bearish combina com o comportamento recente: qualquer repique tende a nascer curto e vulnerável enquanto o RSI não reconquistar uma zona mais confortável.
No Stoch KDJ, a leitura fica ainda mais didática Depois de sair da sobre-venda, o indicador voltou para a região média/alta e agora dá sinais de perda de fôlego, com K e D muito próximos e a linha J deixando claro que o impulso não está “explodindo”, mas sim ficando mais tímido. Esse tipo de movimento é perigoso quando acontece em mercado de pouco volume, porque o oscilador parece “cheio”, mas o preço não acompanha com convicção — e aí um recuo curto pode virar aquela volta negativa mais forte do que o próprio avanço, do jeito que você costuma enfatizar nas leituras. Em paralelo, o MACD reforça o pano de fundo: mesmo com o histograma mostrando uma melhora leve, as linhas ainda trabalham em terreno desconfortável, sugerindo que essa melhora pode ser apenas desaceleração da queda, não reversão. Se o KDJ confirmar perda de força, o MACD costuma “obedecer” e voltar a pesar.
E aqui entra o alerta estrutural que foi colocado no domingo e continua valendo: abaixo da linha 0.618 (~83.9K) existe no perfil de volume uma zona de pouca negociação, com um “vale” de volume que se estende até perto de 68K. Reforçando o que já foi dito: se o preço perder a base do golden pocket e não recuperar rápido, ele pode andar mais solto justamente por falta de “aceitação” no caminho, e isso aumenta a chance de uma pernada mais nervosa até uma região onde o mercado realmente negociou mais. É por isso que, mesmo com os osciladores tentando estabilizar, a leitura fica assimétrica: segurar acima do pocket mantém o jogo morno, mas perder o 0.618 abre espaço para um movimento mais rápido e mais profundo, porque o caminho abaixo está “mais vazio” do que parece à primeira vista.
OURO: Grafico diário
O ouro está fazendo exatamente o tipo de coisa que costuma separar “rompimento de manchete” de rompimento de verdade: já é o segundo fechamento diário acima da antiga ATH, ou seja, não foi só uma espetada e volta pra dentro — o mercado está aceitando preços acima do topo anterior e tentando transformar essa região em novo chão. Isso por si só já muda o jogo, porque em topo histórico a oferta não está “marcada” por memória de prejuízo; o que manda é fluxo, apetite e a velha psicologia do número redondo. E hoje o número redondo é claro: 4.5K virou a resistência psicológica do momento, com o preço consolidando colado nela, a coisa de “uns 10 dólares”, naquele comportamento típico de ativo forte que não devolve o ganho, só respira.
O setup confirma a força: as médias de curto prazo continuam empurrando por baixo, o preço está trabalhando no alto das bandas e o ambiente é de tendência com tração, não de euforia cansada. Quando o ouro fica “parado” logo abaixo de um nível psicológico depois de fechar acima da ATH por mais de um dia, a leitura geralmente é de acumulação no topo, não de distribuição — o mercado está juntando energia e testando a paciência de quem tenta vender “só porque está caro”. O risco aqui não é o rompimento falhar imediatamente; o risco é a famosa “limpeza” intradiária para tirar mão fraca antes de tentar o 4.5K de novo. Enquanto o preço continuar fechando acima do topo antigo e respeitando os suportes curtos, a probabilidade segue apontando para uma tentativa de romper 4.5K de forma mais decisiva, com aquele cenário clássico: rompe, consolida por cima e transforma o psicológico em suporte.
⚠️ Aviso
Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento. |
