Central Magazine

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026 às 22:27
Saiba porque o SMC ficou obsoleto!

O pano de fundo desses últimos três dias ficou bem “mercado de risco com coleira curta”. No dia 24/02, o humor azedou com narrativa de risco global mais frágil, dólar firme e cripto apanhando: o BTC chegou a perder 63K no intraday em meio a discussões de liquidação e “zona perigosa” se perdesse suportes mais baixos, com analistas chamando atenção para o desgaste de ficar preso em range por tempo demais.

No dia 25/02 veio o tal “mini-rally” que incendiou o X: manchetes ligaram a alta a um repique de apetite por risco (com tech no centro do palco) e ao noticiário político, enquanto a pauta cripto ganhou um tempero extra com a ação judicial envolvendo a Jane Street em torno do caso Terraform. Essa parte é importante: o processo existe, tem lastro documental e foi noticiado por fontes sérias, mas ele não prova, por si, a lenda urbana do “dump das 10:00”. A narrativa virou gasolina emocional porque coincidiu com a vela, e humanos adoram coincidência quando ela dá like.

Hoje, 26/02, o tom macro voltou a flertar com “risk-on”, muito puxado por tecnologia e pela leitura de que a história da IA ainda manda no humor das bolsas (Nvidia segue como termômetro emocional do planeta). Em paralelo, o mercado cripto ganhou o argumento que realmente importa no agregado: retomada de entradas em ETFs spot de BTC, com manchetes falando em um dos melhores dias de fluxo desde o início de fevereiro. Isso não transforma range em bull market, mas muda o equilíbrio de curto prazo porque melhora a sustentação do bid.

Bitcoin trava em 67.5K e ouro consolida acima de 5K

Agora, sobre o “evento Janete”: a discussão que ficou viral é a teoria de que uma mesa grande “batia” o BTC na abertura americana e que isso teria “parado” com o risco jurídico. O problema é que, quando o assunto sai de meme e entra em dado, a história fica menos cinematográfica. O que aparece em análises públicas é justamente o contrário do absolutismo do X: padrões não são consistentes, o BTC é grande demais para ser “controlado” de forma simples e repetitiva, e o que parece “mão invisível” muitas vezes é só microestrutura, hedge, arbitragem e ajuste de inventário em torno de liquidez e derivativos. Resumo: dá para discutir influência e timing, mas chamar o movimento de “pump” por causa de uma única firma é atalho mental.

Bitcoin gráfico diário

O candle de ontem foi o tipo de vela que faz maximalista confundir barulho com mudança de regime. A alta chamou atenção porque foi forte o suficiente para mudar o clima do dia, mas, no contexto do diário, ela bateu onde era “esperado” bater: região de oferta, topo do canal descendente e área onde a estrutura ainda não permite cantar reversão com seriedade. O preço continua dentro do caixote do pós-queda, e o que manda aqui é a sequência: depois do dead cat bounce, o gráfico passou a imprimir topos e fundos descendentes com mais frequência, o que é bem compatível com um mercado que tenta respirar sem conseguir reverter a tendência maior.

O ponto mais honesto desse diário é o comportamento em torno do VPVR: o preço estacionou em cima do POC por volta de 67.5K, e isso costuma criar duas leituras que parecem contraditórias, mas não são. A primeira: POC é “ímã”, então é normal ver o BTC orbitar esse nível enquanto o mercado decide se ele vira suporte aceitável ou só um ponto de rotação antes da próxima perna. A segunda: justamente por ser zona de maior negociação, o POC costuma virar palco de armadilha. Se o mercado não consegue se afastar dele com convicção, o risco de bull trap aumenta, porque o movimento vira só redistribuição dentro do volume, não uma fuga para cima.

A vela de hoje ainda não fechou e já está entregando o roteiro mais provável quando o rali é curto e a tendência maior ainda pesa: o preço voltou a encostar na EMA8, mas agora abaixo do POC e abaixo da SMA21 (a média central das Bollinger). No diário, isso é a diferença entre “reversão” e “alívio”: reversão toma médias e transforma reteste em suporte; alívio beija a média e volta a ser negociado por baixo. Com o candle do dia em torno de 67.3K, depois de ter feito máxima perto de 68.8K e mínima por volta de 66.5K, a leitura é de mercado ainda brigando com o mesmo teto operacional. Se o preço não “carimbar” aceitação acima da região do POC, o movimento de ontem fica com cara de impulso para aliviar pressão, não para mudar o desenho.

No mapa das Bollinger de múltiplos desvios, a régua também é clara. As bandas de 2 desvios colocam a parte de cima bem acima, perto de 71.3K, e as de 3 desvios aproximando 73.0K. Isso define os alvos “de squeeze” se o mercado engrenar outra pernada. Mas, do lado de baixo, a mesma régua avisa onde a dor volta a ser séria: 64.6K (banda inferior dev2) e 62.9K (banda inferior dev3). Em bull trap típico, o preço falha na região do POC, perde a SMA21 e a EMA8 vira resistência dinâmica. Aí o mercado volta a “aspirar” liquidez para baixo até encontrar suporte com volume.

Osciladores e fluxo no BTC

O painel técnico ajuda a entender por que o entusiasmo de ontem está desproporcional ao que o gráfico realmente entregou. O ADX em 54.9 grita força de tendência, mas o importante é o contexto: com o “Market is Bearish / Distribution”, esse ADX alto é mais leitura de tendência forte já estabelecida (ou seja, a queda foi pesada e ainda dita o ritmo), não necessariamente de tendência nova nascendo. Viradas duráveis costumam acontecer quando ADX começa a perder tração e a estrutura muda com o preço aceitando acima de médias e zonas de volume. Aqui, o mercado ainda está no meio da transição, sem confirmação.

O Money Flow está positivo (por volta de 10), e isso casa com o que o CVD sugere: existe entrada compradora e o fluxo não está “capitulando”, mas isso não significa domínio comprador. Na prática, fica com cara de compra de alívio, compra de defesa e compra oportunista em região de valor, enquanto o mercado maior ainda negocia em modo distribuição. O próprio RSI na casa de 41–42 é um banho de água fria nos maximalistas: em reversões saudáveis, o RSI costuma recuperar zonas mais neutras/altas com facilidade; aqui ele segue deprimido, coerente com mercado que ainda precisa provar consistência.

O MACD é a parte onde muita gente se engana. Ele está negativo, mas “acima do sinal”, o que é exatamente o que se espera em repiques depois de uma pernada forte de baixa: melhora a inclinação, o histograma perde agressividade e a linha rápida começa a cruzar para aliviar. Isso é bom, mas é só o primeiro degrau. O degrau que transforma alívio em reversão é: MACD reduzir a distância do zero com o preço aceitando acima de SMA21 e da zona do POC. Sem isso, o MACD vira aquele indicador que “melhora” enquanto o preço apenas descansa antes de decidir o próximo lado.

O Stoch/KDJ está refletindo a volatilidade recente com a rapidez típica do indicador. No KDJ, a leitura atual sugere impulso (K ~ 69.6, D ~ 54.6) com a linha J muito esticada (~ 99.7), ou seja: o indicador aponta que houve força, mas essa força já ficou “cara” rápido demais. Isso combina com o que foi dito sobre divergência e “queimar” sinal: quando a linha J estica desse jeito sem o preço romper estrutura, a tendência é o mercado precisar de consolidação ou reteste para normalizar o oscilador, sob pena de a próxima pernada ser só falta de combustível. O TimeFrame Monitor também reforça o cenário misto: curto prazo tenta virar, mas timeframes maiores ainda não “compraram a ideia” (com 6h e 1h mostrando fraqueza relativa, enquanto o curtíssimo tenta respirar).

Ouro: pragmático e consistente

Enquanto o BTC vive de narrativa e microestrutura, o ouro segue fazendo o que ele sempre fez: trabalhar níveis e validar suporte com paciência. Depois de romper a região de 5.0K na quarta tentativa, o metal consolidou e voltou para um reteste mais “limpo” da zona de rompimento anterior. O movimento atual respeita bem a lógica de correção e recuperação: a retração que veio depois do topo levou o preço a trabalhar dentro de uma faixa mais estável, e agora o gráfico está de novo consolidando próximo de 5.15K–5.19K, com candles relativamente comportados para o tamanho do movimento prévio.

Na Fibonacci da queda (invertida, por se tratar de correção para baixo), o preço está se organizando acima da região de 0.382 (~5.14K) e olhando para o próximo desafio mais óbvio: 0.236 (~5.32K). A leitura que importa aqui é a mesma que você apontou, só que com uma implicação operacional bem direta: se o ouro aceitar ficar acima de 0.5 (~5.00K) com naturalidade, ele reduz drasticamente a chance de o rompimento ter sido “falso” e passa a transformar 5K em piso psicológico e técnico ao mesmo tempo. O gráfico não precisou “descer até a EMA8” para provar força, e isso é típico de ativo em tendência mais madura, que paga a correção mais no tempo do que no preço.

Nos indicadores, o ouro está saudável e, ao mesmo tempo, esticado o suficiente para justificar uma pausa. O ADX em ~16.9 diz “tendência fraca” no sentido de aceleração, mas isso combina com consolidação: não é fraqueza de colapso, é falta de impulso porque o mercado está digerindo o movimento. O RSI perto de 60 e o Momentum positivo confirmam que o viés segue comprador. O MACD positivo e acima do sinal sustenta a ideia de continuidade, desde que o preço não perca a zona de 5K.

O alerta mais óbvio está no KDJ em sobrecompra (K ~ 98.9, D ~ 97.7, J ~ 101.2): isso costuma pedir respiro. E aqui o “respiro ideal” é exatamente o mais construtivo: um reteste em direção a 5.0K (zona de 0.5) que faça duas coisas ao mesmo tempo, sem estragar a tendência: aliviar o oscilador e carimbar suporte. Se o mercado fizer isso com volume estável e sem perder a estrutura, ele tende a voltar melhor para mirar as zonas superiores (0.236 e, em extensão, a região do topo anterior).

Níveis e cenários

BTC (diário)

  • Resistências: 67.5K (POC) como pivô, depois 68.8K, 71.3K e 73.0K.

  • Suportes: 66.5K, depois 64.6K e 62.9K.
    Cenário base: consolidação/retorno para retestar médias e decidir aceitação acima do POC. Cenário alternativo (bull trap): falha acima do POC, perda de SMA21 e busca de liquidez mais abaixo.

Ouro (diário)

  • Resistências: 5.32K (0.236) e 5.60K (topo / 0).

  • Suportes: 5.14K (0.382) e 5.00K (0.5), com 4.86K (0.618) como suporte mais profundo.
    Cenário base: consolidação acima de 5.0K enquanto osciladores desincham. Cenário de força: aceitar acima de 5.32K e voltar a buscar topo.

Conclusão

O resumo macro é simples: o BTC teve um dia de euforia porque vela grande sempre vira religião nas redes, mas o gráfico diário ainda está exigindo o básico, que é consistência. A história “Janete parou de manipular” é boa para engajamento, mas a estrutura mostra um mercado que ainda precisa escolher entre aceitar 67.5K como piso ou tratar esse nível como rotação antes de outra perna. O ouro, do outro lado, está fazendo o que ativos “adultos” fazem: consolidar acima de um número psicológico e preparar combustível sem precisar de narrativa milagrosa.

Se o fluxo de ETF continuar firme e o macro não piorar, dá para ver o BTC tentando puxar outra pernada para cima e testar as bandas superiores. Só que, sem aceitação acima do POC e sem recuperação clara das médias centrais, o risco de bull trap continua em cima da mesa. O mercado já mostrou que consegue fazer vela bonita e, no dia seguinte, pedir pagamento em forma de reteste. E esse é o tipo de cobrança que não perdoa entusiasmo descolado de estrutura.

⚠️ Aviso

 

Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento.
O mercado de cripto é volátil e envolve riscos.
Faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões.
Invista com responsabilidade.

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