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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026 às 0:43
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Notícias e pano de fundo macro

A virada de 20/01 para 21/01 veio com um ingrediente que costuma bagunçar tudo ao mesmo tempo: ruído geopolítico com cara de “risco de política econômica”. As manchetes que circularam hoje conectam a piora do humor global à retórica de Donald Trump envolvendo tarifas contra a Europa e a escalada de tensão em torno da Groenlândia, o que reativou o modo defensivo nos mercados tradicionais e contaminou o apetite por risco. Esse tipo de narrativa tende a bater primeiro no que é mais volátil e mais alavancado, e cripto quase sempre está nessa lista.

Do lado do Bitcoin, o que se viu foi a sequência típica de mercado esticado: volatilidade, limpeza de posições e “squeeze” em cadeia. Um destaque do noticiário foi o volume de liquidações concentradas em 48 horas, com predominância de longs sendo encerrados à força, num movimento que costuma aparecer quando o preço atravessa zonas técnicas e encontra book ralo. Em termos de dinâmica, não precisa de um evento único para isso acontecer: basta um gatilho macro e um mercado lotado de alavancagem para o dominó cair.

A ironia do timing é que, no meio desse estresse, apareceu também combustível “positivo” no micro: a Strategy (Michael Saylor) reportou uma compra grande de BTC, na casa de 22.305 bitcoins por cerca de US$ 2,13 bilhões, comunicada em veículos de primeira linha e reforçada pelo próprio Saylor nas redes. Em dia de mercado calmo, esse tipo de manchete costuma sustentar narrativa de demanda estrutural; em dia de risco macro, muitas vezes vira só um colchão para amortecer quedas, não uma catapulta para romper resistências.

Enquanto o Bitcoin brigava para se manter de pé, o ouro fez exatamente o que se espera de um porto seguro quando o mundo entra em modo “incerteza”: renovou máxima e cruzou a região psicológica de US$ 4.800/oz, com a própria imprensa associando o movimento ao aumento do risco geopolítico e ao temor de guerra comercial. Esse contraste, ouro em tendência e BTC apanhando em squeeze, é um retrato direto de como o mercado está precificando proteção versus risco neste momento.

Bitcoin volta a testar o fundo em 87K

BTC no diário: price action, canal e o “alívio” que ainda não convenceBTC no diário: price action, canal e o “alívio” que ainda não convence

No gráfico diário, o mercado confirmou o “ponto da análise anterior” de forma quase pedagógica: a região do POC atual virou ímã. O preço agulhou abaixo, encostando na casa de 87.1K–87.9K (a área também conversa com a banda inferior de Bollinger em 87.903K), e depois devolveu parte da queda, fechando por volta de 90.1K. Foi uma recuperação com volatilidade, mas com uma característica importante para leitura de força: o candle de reação não veio acompanhado de uma assinatura clara de compra agressiva no fundo (aquele pavio inferior longo que grita “absorção”). O resultado parece mais um respiro depois da pancada do que uma virada limpa de regime.

O redesenho do canal de baixa com os dados mais recentes reforça uma leitura incômoda: houve rompimento e reteste da linha inferior, mas o reteste está sendo sentido como resistência, não como suporte. Isso abre espaço para interpretar o candle atual como um Harami Bullish, sim, mas do tipo “sinal frágil” quando aparece dentro de uma estrutura macro ainda descendente. O próximo movimento é o que determinará a força e validade dessa formação: Para ganhar musculatura, ele precisa de continuidade, e continuidade hoje depende de retomar médias e segurar acima das zonas onde o mercado vem sendo rejeitado.

O detalhe que torna esse Harami mais suspeito é o fluxo: a coloração roxa do candle, associada ao CVD, conversa com a tese de divergência bearish. Em termos simples, o preço tenta recuperar terreno, mas o delta acumulado não acompanha com a mesma convicção, sugerindo que parte do movimento pode estar vindo mais de mecânica (shorts fechando, stops disparando, recompras pontuais) do que de demanda nova entrando com apetite. É o tipo de cenário que produz “spikes bonitos” e sequências frustrantes, porque o mercado sobe sem construir base.

BTC no semanal: padrões bearishes e sinais lentos de reversãoBTC no semanal: padrões bearishes e sinais lentos de reversão

No semanal, o desenho geral continua com cara de padrão bearish se organizando, ainda que não encaixe numa figura clássica perfeita. A leitura lembra um “misto” entre Adão & Eva e variações de Cup & Handle invertido dentro de um canal de baixa, sem formar um OCOi completo, mas entregando a mesma mensagem: a alta perdeu a hegemonia, e a recuperação ainda parece uma tentativa de recompor estrutura, não uma retomada de tendência. Quando o preço precisa “implorar” para ficar acima das médias e falha repetidamente, o mercado costuma interpretar isso como fraqueza.

Os números do painel semanal apoiam essa cautela. O RSI aparece com leitura de perda de suporte (41.29) e o MACD segue abaixo do sinal e profundamente negativo, o tipo de combinação que geralmente não combina com “fundo já confirmado”. O BBWP semanal em 2.15% (abaixo da média de 20.75%) é outro recado: a volatilidade semanal ainda está comprimida, e compressão não escolhe direção sozinha, apenas anuncia que um movimento maior tende a acontecer quando o range ceder. Em geral, o lado que estiver “melhor posicionado” na estrutura leva vantagem quando a compressão solta. Aqui, a estrutura ainda pende para o bearish.

O KDJ do semanal adiciona nuance: com K em 33.98 e D em 27.64, há uma tentativa de recuperação saindo de zona baixa, mas sem aquele impulso que normalmente acompanha reversões mais confiáveis. É o tipo de indicador que pode melhorar rápido se o preço recuperar níveis críticos, mas também pode falhar e “virar de novo” se o mercado não conseguir sustentar acima das resistências dinâmicas. Ou seja: o semanal dá sinais de que a correção pode estar madura, mas ainda não entrega confirmação técnica de reversão.

Heatmap de liquidações: por que 87K virou ímã e por que 90K pode ser armadilhaHeatmap de liquidações: por que 87K virou ímã e por que 90K pode ser armadilha

O heatmap de liquidações das últimas 12 horas ajuda a entender o incentivo por trás do roteiro. A região de 87K aparece como um polo de liquidez evidente, e o preço foi até lá, tocou, mas não “varreu tudo” de forma limpa e definitiva. Isso costuma gerar duas leituras de mercado, e ambas são perigosas para quem opera no impulso.

A primeira leitura é a do bear-trap: a liquidez em 87K vira um “alvo óbvio” para o varejo shortar, esperando continuação da queda, mas o preço reage antes de completar a caça, sobe de volta e pune quem entrou atrasado. Isso combina com a sensação de “spoofing” de alvo, onde o mercado mostra um prato de comida e puxa antes da mordida. A segunda leitura é a de tentativa infrutífera de retomada: o spike para 90K acontece por alívio, mas sem construir um novo pool robusto acima, o que seria mais típico quando muitos traders estão se alavancando em short no topo e deixando stops empilhados acima. No heatmap, essa “escada de liquidez acima” não aparece com a mesma força que a zona abaixo, o que torna o rali mais parecido com suspiro do que com preparação para perna de alta.

Quando os dois lados ficam “mal servidos” (sem pool convincente acima e com alvo abaixo ainda chamando atenção), o mercado entra naquele modo irritante de consolidação com espasmos: sobe o suficiente para gerar FOMO e stopar shorts, cai o suficiente para gerar pânico e stopar longs. É o ambiente perfeito para os palpiteiros de timeline perderem a paciência, porque ele castiga previsões lineares. E é exatamente aí que a leitura de estrutura e liquidez vale mais do que opinião.

Osciladores no diário: volatilidade “pra baixo” e momentum que ainda não virouOsciladores no diário: volatilidade “pra baixo” e momentum que ainda não virou

No diário, os indicadores reforçam a ideia de recuperação frágil. O painel marca ADX em 31.82 (força direcional), mas com preço em “Sell Zone” nas Bollinger de 2 desvios e BBWP alto (86.7%), sugerindo que a volatilidade recente já foi liberada e que o mercado segue suscetível a pancadas rápidas, especialmente quando está tentando se reorganizar abaixo de resistências. O RSI em 45.48 ainda aparece abaixo da média, o que é coerente com um mercado que respira, mas não retomou dominância de compra.

O MACD permanece abaixo do sinal e negativo, e o momentum aparece enfraquecendo, sinalizando que o “motor” da recuperação ainda não ganhou rotação suficiente para virar tendência. No estocástico do monitor multi-timeframe, a leitura também não grita “virada limpa”: há sinais mistos entre timeframes curtos mais sensíveis e o diário ainda sugerindo cautela. Em outras palavras, dá para existir repiques, mas eles precisam provar continuidade acima das médias e resistências; caso contrário, viram apenas oportunidades de o mercado redistribuir risco antes de tentar buscar liquidez novamente.

Conclusão: ouro consolida no topo enquanto o BTC negocia sobrevivência

O ouro renovando ATH e consolidando no topo é a assinatura mais clara do momento: o mercado está pagando caro por proteção, e a proteção está sendo buscada por causa do risco político e da possibilidade de escalada em tarifas e tensão EUA-Europa. Quando o ouro rompe US$ 4.800/oz com manchetes explicitando o componente geopolítico, não é só “análise técnica”, é fluxo defendendo carteira.

Já o Bitcoin, apesar da narrativa estrutural de adoção e de compras relevantes como a da Strategy, está sendo tratado no curto prazo como ativo de risco: apanha em squeeze, reage por mecânica, e precisa provar que a recuperação é demanda real, não apenas fechamento de posições. O toque no POC na faixa de 87K e a volta para 90K cumprem o script previsto, mas a continuidade depende de romper resistências e reconstruir estrutura no diário e no semanal. Até lá, o quadro segue com cara de “BTC na lama, ouro na lua”: um mercado precificando risco geopolítico no metal, e precificando incerteza e alavancagem no cripto.

⚠️ Aviso

 

Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento.
O mercado de cripto é volátil e envolve riscos.
Faça sua própria pesquisa (DYOR) antes de tomar decisões.
Invista com responsabilidade.

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