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Esse conjunto — liquidez rala, cortes de taxas que não chegam, saídas de ETF — cria uma “tempestade silenciosa”. E perigosa pois a manutenção do preço está acontecendo em divergência com o sentido da liquidez. A queda de preço não ocorre por “todos vendendo em pânico”, mas por que ninguém está comprando. O mercado fica vulnerável à menor fagulha: e quando essa fagulha vier (um dado macro, uma liquidação em série, um evento DeFi), o estrago pode vir forte.
A ausência de compra que parece venda
O gráfico semanal do BTC mostra uma aparente pressão vendedora, mas a leitura mais precisa revela algo mais sutil — e mais preocupante: não há força de compra.
A amplitude das velas é grande, mas o volume segue morno e o CVD despencando mostra uma fuga institucional silenciosa, o que seca os bids e deixa o preço “caindo no vazio”. É o tipo de movimento que engana: o preço não despenca por excesso de venda, mas por ausência de apetite comprador.
O resultado é um mercado pairando acima dos 100K por inércia, sem sustentação real. O candle vermelho reflete o quadro — menos liquidez, menos absorção e cada vez menos interessados em segurar posições spot. O gráfico é o espelho exato do que vimos nos fluxos dos ETFs: saídas constantes e sem reposição.
CVD em queda livre e fuga institucional
A leitura do CVD (Cumulative Volume Delta) é o ponto-chave desta semana. A linha caiu de forma acentuada, e isso não é apenas sinal de agressão vendedora — é o retrato da retirada de players institucionais do mercado spot e dos books de derivativos.
Quando o CVD despenca enquanto o volume total permanece baixo, a estrutura do livro se torna extremamente vulnerável: os grandes bids desaparecem e qualquer ordem de tamanho médio passa a ter impacto desproporcional no preço.
Essa é a anatomia clássica de um mercado ilíquido em distribuição lenta. A consequência imediata é a perda gradual dos suportes sem reação técnica — e é exatamente o que estamos vendo nesta faixa dos 100K. A liquidez se foi, e com ela, a capacidade do mercado de defender os níveis-chave.
Osciladores em queda e suportes na corda bamba
Todos os osciladores permanecem alinhados para baixo. O Momentum ainda negativo e o RSI abaixo da média de 50 confirmam a exaustão compradora. O Stoch semanal também segue em zona de sobre-venda, sem cruzamento de reversão — reforçando o risco de ruptura definitiva da zona dos 100K.
No campo técnico, a linha de 0.768 da Fibo (~100.5K), projetada a partir da ATH revisada em 126K, é o suporte imediato. Abaixo dela, o POC em 96K representa o último bastião da estrutura atual, coincidindo com a LTA traçada desde o fundo em 15K.
Um fechamento semanal abaixo desse patamar confirmaria perda de estrutura ascendente, abrindo espaço para uma retração mais ampla até 87–84K (Fibo 0.65–0.618). A resistência imediata agora é a EMA50 perdida (~103–104K) — nível que, se testado, tende a servir como barreira de pullback antes de nova pressão descendente.
A Análise on-chain corrobora tudo isso:
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Long-term holders (LTH) em distribuição: a Glassnode reportou que o Long-Term Holder Net Position Change caiu para –104 mil BTC/mês, a maior onda de distribuição desde meados do ano. Enquanto os LTH não voltarem de “vender” para acumular, a recuperação tende a ficar limitada.
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Saída de BTC de carteiras antigas / queda de “illiquid supply”: desde meados de outubro, ~62 mil BTC saíram de carteiras de LTH (reduzindo o suprimento “ilíquido”), o que reforça o quadro de desempilhamento por mãos fortes.
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Cohorts em modo vendedor: leituras por faixas (de <1 BTC até >10k BTC) voltaram a venda líquida em setembro/outubro e permaneceram defensivas com a correção de novembro — sinal de distribuição ampla, não só varejo.
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Stress na base e pressão de realização: a parcela do supply em perda subiu para ~33%, o que costuma vir com realizações (lucro/prejuízo) e rotação de mãos; historicamente, esses picos de “supply em perda” aparecem em fases de exaustão do lado comprador, coerente com a falta de bid que estamos vendo.
O gráfico diário de BTC/USDT (Binance) exibe uma estrutura de topo claro, com o padrão de Ombro–Cabeça–Ombro (OCO) completado e rompido, selando o início de um movimento de distribuição. A neckline foi violada sem qualquer reação significativa, e o pullback recente parou exatamente na EMA8, que agora atua como resistência dinâmica. O candle atual evidencia rejeição nessa média, mantendo a tendência de topos descendentes.
As médias móveis se alinham em modo descendente: EMA8 abaixo da EMA50, que por sua vez já cruza para baixo da EMA100, enquanto a EMA200 (~110K) paira distante, reforçando que a estrutura de curto e médio prazo virou completamente bearish. O canal de descida é reforçado pela LTB (linha de tendência de baixa) traçada desde o topo de 114K, que segue intacta — cada tentativa de recuperação morre ao encostar nessa linha.
Fibonacci projeta as zonas de impacto. As extensões de Fibonacci projetadas a partir da perna de reversão do OCO trazem níveis de alvos claros:
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1.0 → 102K, testado agora, funcionando como região de consolidação;
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1.141 → 99.1K, primeiro suporte relevante e alvo natural da continuidade da perna de baixa; Foi o alvo da queda de Terça e se rompido, poderemos testar os níveis abaixo.
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1.272 → 96.1K, coincidindo com o alvo do OCO e servindo como ponto provável de absorção inicial;
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1.414 → 93.4K, onde há confluência com a banda inferior de 3 desvios do semanal, marcando zona potencial de exaustão do movimento atual.
Esses níveis coincidem exatamente com as zonas mapeadas nas análises anteriores — o mercado está executando o script da distribuição, e a ausência de volume comprador só acelera o deslocamento entre cada degrau de Fibo.
Conclusão – A calmaria que apodrece o suporte
O Bitcoin encerra esta primeira semana de novembro em estado de inércia tensa, pairando acima dos 100K com aparência de estabilidade, mas sem sustentação real. O preço não cai por excesso de venda — cai porque ninguém compra. Essa ausência de fluxo comprador mantém o mercado travado numa espécie de “suspensão líquida”, onde cada tentativa de repique morre ao encostar na EMA8 diária e a liquidez escorre pelos dedos.
O comportamento conjunto dos indicadores reforça essa leitura: CVD em queda livre, RSI ainda submerso, momentum negativo e ADX firme sugerem que o movimento não perdeu força — apenas fôlego. O padrão Ombro–Cabeça–Ombro completado, aliado à falha de rompimento da LTB e à ausência de volume, sinaliza continuação de tendência descendente. O suporte imediato na faixa 99–96K é o último bastião técnico antes de o preço mergulhar para 93K, onde se alinham a banda inferior dev3 e o Fibo 1.414 do movimento de reversão.
Prognóstico – Segunda semana de novembro: o mercado à beira da ruptura
Se essa dinâmica persistir, o gráfico diário pode entregar uma segunda perna de baixa, empurrando o BTC até 96K ainda antes do fechamento semanal. O movimento tende a ser menos explosivo e mais “gravítico”: sem grandes spikes de volume, mas com candles contínuos de escoamento. O BBWP ainda elevado sugere que a volatilidade está viva, e o mais provável é que ela se manifeste em direção descendente.
Por outro lado, caso o BTC consiga defender a faixa dos 99–97K e produzir um candle diário de reversão com volume crescente — algo que não ocorre há mais de 10 sessões —, o cenário muda. Esse tipo de reação abriria espaço para pullback até 105–107K, onde passa a EMA50 e o Fibo 0.768, pontos que agora funcionam como teto de curto prazo.
Em síntese: o mercado inicia a segunda semana de novembro em zona de compressão crítica, sustentado apenas pela inércia e pela lembrança de liquidez antiga. A tendência dominante continua de distribuição, e a única força capaz de evitar o mergulho é uma retomada institucional — algo que, até o momento, não se manifesta nos dados on-chain nem nos ETFs. O silêncio comprador segue sendo o som mais alto do mercado.
⚠️ Aviso
Esta análise é apenas um estudo técnico e não representa recomendação de investimento. |
